Charles Mingus – Goodbye Pork Pie Hat
HELTON RIBEIRO
Colaboração para Folha Online

Um dos maiores compositores e contrabaixistas do jazz, Charles Mingus destacou-se também como bandleader. Seu Jazz Workshop era, mais que um grupo, um laboratório de idéias no qual os músicos improvisavam com grande liberdade sobre suas inovadoras criações, antecipando o free jazz. Ele fundia blues, gospel, música clássica e a influência de Duke Ellington para criar algo novo e instigante.
Mingus nasceu em 22 de abril de 1922 em Nogales, Arizona, e cedo se mudou com a família para Los Angeles, onde aprendeu a tocar trombone e violoncelo antes de optar pelo contrabaixo. De 41 a 53, tocou com Louis Armstrong, Charlie Parker, Dizzy Gillespie, Duke Ellington e outros grandes.
Em 54 fundou o Jazz Workshop, pelo qual passaram Max Roach, Lee Konitz e Jackie McLean. De 56 a 64, gravou os clássicos LPs “Pithecanthropus Erectus”, “The Black Saint and the Sinner Lady” e “Charles Mingus Presents Charles Mingus”, entre outros. Os arranjos podiam incluir ruídos e espaço para improvisações coletivas de grande força expressiva.
Depois de quatro anos afastado dos palcos e estúdios, voltou em 70 com muito sucesso. Um raro tipo de esclerose que atrofia os músculos deixou-o paralítico em 77 –mesmo sem tocar, ele continuou fazendo discos, nos quais atuava apenas como coordenador musical. A doença o derrotou em 5 de janeiro de 79, em Cuernavaca, México.
Até os anos 50, o músico de jazz, em geral, tinha pouco ou nenhum controle sobre sua obra, e uma visão de negócios que não ia muito além de gerir o próprio grupo. Empresários, gravadoras e editoras musicais pareciam falar um idioma incompreensível para os artistas. Por isso, eram frequentes os casos de músicos prejudicados em contratos com gravadoras, ou ludibriados por empresários.
Charles Mingus foi um dos primeiros a tentar superar essas limitações, aprendendo a trabalhar do outro lado do “balcão”. Criou selos independentes, organizou uma associação de músicos (Jazz Artists Guild) e financiou shows.
O empreendimento mais frutífero foi o selo Debut Records, aberto em sociedade com o baterista Max Roach, em 52. Durante seis anos, a pequena gravadora lançou discos de Miles Davis, Charlie Parker, Sonny Rollins, dos próprios donos e o famoso “Jazz at Massey Hall”, considerado o melhor disco ao vivo do jazz, com um grupo formado por Dizzy Gillespie, Charlie Parker, Bud Powell, Mingus e Roach.
A matéria acima foi publicada na Folha. Acesse aqui, leia o original e compre a coleção, é imperdível.
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Charles Mingus - Flowers For A Lady (1974) Umbria Jazz Festival, Todi, ItalyCharles Mingus (bass), Dannie Richmond (drums), Don Pullen (piano), George Adams (tenor sax), Hamiet Bluiett (baritone sax)
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