Lee Morgan “Are you real ?”
Outro vídeo raro de Lee Morgan. Vejam na lista ao lado mais posts sobre este fantástico músico.
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HELTON RIBEIRO
Colaboração para Folha Online

No jazz há muitos artistas subestimados, e Lee Morgan é um deles. Um dos melhores trompetistas das décadas de 50 e 60 morreu muito jovem, aos 33 anos, o que o impediu de ganhar maior fama ao longo do tempo. Além da carreira solo, ele gravou com os maiores da época, como Dizzy Gillespie, John Coltrane, Art Blakey, Quincy Jones e Wayne Shorter. Entre os que ele influenciou estão Freddie Hubbard e Wynton Marsalis.
Edward Lee Morgan nasceu em 10 de julho de 1938, em Filadélfia, Pensilvânia. Aos 15 anos, já liderava o próprio grupo. De 56 a 58, tocou na big band de Dizzy Gillespie e, quando o líder a desfez, ele foi para os Jazz Messengers de Art Blakey, onde ficou até 61. Em 57, participou do disco “Blue Train”, de John Coltrane.
Problemas com heroína o levaram a um afastamento temporário até 63, quando ele voltou à cena em Nova York, gravando seu maior sucesso, o LP “The Sidewinder”, que chegou à parada pop. Retornou aos Messengers em 64, saindo definitivamente no ano seguinte, para iniciar carreira solo. Outros discos de sucesso foram “Search for the New Land”, de 64, e “Caramba!”, de 68. Morgan teve uma morte trágica. Em 19 de fevereiro de 72, aos 33 anos de idade, levou um tiro da própria mulher, Helen More, durante uma discussão dentro de um clube em Nova York.
Nos anos 60, o jazz havia praticamente desaparecido das rádios e tevês nos Estados Unidos, substituído pelo rock e a soul music. Nessa época, também, o movimento pelos direitos civis havia feito grandes progressos, mas a mídia parecia desconhecê-los: na televisão, por exemplo, era rara a presença de artistas e apresentadores negros.
Descontentes com essa situação, Lee Morgan e o saxofonista Roland Kirk, no começo dos anos 70, lideraram o Jazz and People’s Movement, que organizou protestos de impacto contra as redes nacionais de rádio e tevê.
A tática do movimento era simples. Vários músicos entravam incógnitos em programas de auditório gravados ao vivo, e de grande audiência, como os de Johnny Carson e Ed Sullivan. Em determinado momento, eles sacavam apitos e pequenos instrumentos de percussão que levavam escondidos na roupa e aprontavam um tremendo barulho, interrompendo os programas. Max Roach foi outro jazzista famoso que participou dos protestos.
A matéria acima foi publicada na Folha. Acesse aqui, leia o original e compre a coleção, é imperdível.
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O hard bop desenvolveu-se nos anos cinqüenta como uma extensão e radicalização do Bebop. Esse movimento teve a participação de vários músicos procedentes de Detroit e Filadélfia. A música que eles tocavam eram um bebop mais evoluído, com harmonias mais avançadas e um domínio que beira a perfeição. Esse estilo teve um período bastante longo no Jazz, o que permitiu transformações.
A natureza do Hard Bop constitui-se ao mesmo tempo de elementos simples e complexos. Os temas normalmente são mais simples que os do Bebop, com linhas melódicas menos angulosas, e os músicos desse estilo em geral interpretam composições próprias e raramente executam standards. São bastante claras as influências de outros estilos como Soul, Gospel e Blues, principalmente nas composições de Horace Silver e Donald Byrd, entre outros. Quanto ao acompanhamento, há maior repetição de acordes, o que acaba incorporando aspectos do Jazz Modal, permanecendo-se mais tempo em cada acorde; há ainda o uso de células rítmicas em ostinato. As estruturas das músicas são mais complexas do que as do bebop (que eram baseadas em canções de 32 compassos com a forma A, A, B, A), e há maior variação rítmica com uso de compassos poucos usados no Jazz; devido a esse fato, baixo e bateria ganham maior liberdade e força, tomando às vezes a condição de band leader, o que não era muito comum nos outros estilos.
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