The Cure

Publicado: 28/04/2007 em Pop, The Cure

The CureThe Cure é uma banda de Rock Inglesa formada em 1976 que surge inserido no periodo Pós-Punk e que está nas origens do Rock Gótico e Rock Alternativo. Robert Smith é o génio que lidera esta banda desde o seu ínicio e único elemento desde a sua formação. São uma banda difícil de categorizar devido ao seu som bastante original, mas serão sem dúvida uma banda de rock depressivo. Negligenciados pela imprensa na segunda metade da década de 90, o novo século finalmente deu-lhes o reconhecimento devido, quando se aperceberam que os The Cure se tornaram numa das bandas mais influentes do rock alternativo.

A história dos The Cure, confunde-se com a de Robert Smith que nasce em 21 de Abril de 1959 em Blackpool, norte de Inglaterra. Acaba por se estabelecer com a família em Crawley, um súburbio de Londres. É um rapaz problemático e acaba por ser expulso da escola que frequentava, por ser considerado má influência para os seus colegas de escola. Apesar da expulsão, acaba por voltar ás aulas sem que ninguém se aperceba. O tempo que não era usado nas aulas era passado em salas de estudo, ou então podiam também usar esse tempo em actividades culturais. O Robert decidiu formar uma banda para não ter que estar fechado numa sala a estudar.

O primeiro grupo que teve chamava-se simplesmente The Group. Após vários outros grupos a que pertencera, começa um novo projecto com os Easy Cure, nome que saíra duma música de Lol Tolhurst. Concorrem a um concurso promovido por uma editora independente Alemã, a Hansa, que vencem, mas pouco depois percebem que tinham ganho o concurso não pelo seu valor mas pela sua imagem. O Robert Smith não era vocalista, mas com a desistência do vocalista ele assume a voz do grupo. Pouco tempo depois rescindem o contracto. O Robert deixou de achar piada ao nome da banda e muda-o para The Cure, pois soava-lhe demasiado “West Coast”. Enviam as suas demos a todas as maiores editoras mas não obtêm qualquer resposta excepto do A&R da Polydor, que os satisfez… e após algum o tempo convence-os a assinar, não pela Polydor mas sim pela sua própria editora, a Fiction Records. Os The Cure são os primeiros a assinar por esta editora.

O 1º single da banda, Killing An Arab é lançado no Natal de 1978, single esse que é bem recebido pela crítica Inglesa. O primeiro álbum, Three Imaginary Boys, só sai em junho de 1979, igualmente recebido com muito boas críticas, no entanto o som que caracteriza o álbum, ainda com algumas influências Punk, músicas rápidas e directas, já não são a imagem do Robert Smith desta altura mas sim de um Robert do passado, do periodo Easy Cure. Fazem uma tour de promoção ao álbum e logo de seguida são convidados para serem a banda de suporte para a banda Siouxsie And The Banshees, e lançam dois singles: Boys Don’t Cry (Julho) e Jumping Someone Else’s Train (Outubro). Após uma invulgar deserção no seio desta banda em plena tour, Robert Smith oferece-se para o lugar de guitarrista durante esta Tour e em cada concerto faria os dois “sets”, tanto pelos Cure como pelos Banshees. Aqui termina a fase embrionária, mais ligada á fase Easy Cure e iniciar-se-ia a verdadeira essência da banda. O baixista, Michael Dempsey não se revia na direcção que a banda estava a tomar e decidiu afastar-se antes que Robert Smith o fizesse. Robert decide convidar o baixista Simon Gallup e o amigo deste, o teclista Matthieu Hartley.

Lullaby

Após a gravação deste primeiro álbum o Robert inicia pouco depois a gravação do periodo mais “negro” dos The Cure. A trilogia, Seventeen Seconds, Faith e Pornography. Este periodo é considerado pela grande maioria de fãs como a melhor fase da banda, na qual foram produzidas canções belas e soturnas como A Forest, Play For Today, Primary, Charlotte Sometimes, One Hundred Years ou A Strange Day. À ilusão do Seventeen Seconds, segue-se a letargia do desespero em Faith. Todo esse desespero e emoções contidas transformam-se em raiva, ódio e num desespero ainda mais exacerbado no Pornography, tornando este álbum um marco para toda a música alternativa. Após este periodo, cheio de excessos que culminou com cenas de pancadaria entre o Simon Gallup e Robert Smith em plena tour em 1982, os The Cure como eram conhecidos até então tinham acabado. No fim da tour a banda tinha acabado, apesar de oficialmente o fim não ter sido confirmado. Em 1983 Robert Smith fazia parte da banda Siouxsie & The Banshees e temendo perder o Robert definitivamente, Chris Parry (dono da Fiction Records) incitou-o a gravar algo novo e mais comercial.

Antevendo um descontentamento e desilusão dos fãs, o Robert sugere gravar com um nome diferente que não The Cure, mas Chris Parry consegue convencê-lo dos beneficios. E assim em 1983 surgem os singles Let’s Go To Bed, The Walk e The Lovecats. Como Lol Tolhurst já não conseguia evoluir mais na bateria, passou para os teclados. Andy Anderson, seria o baterista nestas gravações e futuramente seria o novo baterista da banda. O produtor e baixista, Phil Thornalley seria o novo baixista. Nesta altura Robert Smith inicia um projecto paralelo com o baixista dos Banshees, Steve Severin de nome The Glove. Apenas editam um álbum que foi bastante marcante para os dois, Blue Sunshine. Andy Anderson seria também o baterista dos The Glove.

Em 1984 os The Cure editam The Top, que conta já com Porl Thompson, que já tinha estado ligado aos Easy Cure. Este é um [album muito influênciado pela passagem do Robert pelos Banshees, e bastante diferente de tudo já alguma vez feito e deveras estranho, mas que com o tempo se torna cada vez mais apelativo e cativante. Um álbum que de tão estranho foi recebido friamente e em parte Robert concorda com as críticas pois segundo ele na altura os The Cure eram ele e umas quantas pessoas e não verdadeiramente uma banda de maneira que álbum foi quase completamente feito por ele. The Caterpillar é o único single deste álbum.

Em 1985, Simon Gallup regressa e Andy Anderson é substituido por Boris Williams. O The Head On The Door é lançado e mais uma vez conseguem outros hits internacionais. Os singles In Between Days e Close To Me são músicas que ainda hoje se ouvem em qualquer lugar. A night Like This é o terceiro single do álbum. Para além desses clássicos este álbum possui outras preciosidades que marcam a história da banda como a Sinking, Push, The Baby Screams entre outras. Foi um álbum que marcou a banda e os deu a conhecer ao mundo, pois até aqui tinham sido uma banda apenas conhecida em certos circuitos alternativos.

Em 1986 é quando o sucesso se torna num fenómeno de popularidade, assim que os The Cure lançam a compilação Standing on Beach/Staring At Sea. Boys Don’t Cry que quando foi lançado em 1980 não teve o sucesso esperado, em 1986 torna-se um hino da banda.

Em 1987 gravam no sul de França um disco duplo, Kiss me Kiss Me Kiss Me, um projecto arrojado, com músicas pop belas contrastando com músicas cheias de raiva fazendo relembrar o Pornography. Why Can’t I Be You, Catch, Hot Hot Hot!!! e Just Like Heaven são algumas músicas do lado pop que contrastam com The Kiss, Torture ou If Only Tonight We Could Sleep, entre outras.

Em 1989, surge possívelmente o melhor álbum da banda, para muitos considerado o melhor da banda, para outros dos anos 80 e ainda para outros de sempre, Disintegration. Gravado numa fase particularmente dificil para o Robert, que conseguiu canalizar todo o seu desespero para as suas letras e música. Nunca o triste e belo estiveram tão perto da perfeição. Com este disco alcançam com os singles bastante atenção mundial. Fascination Street, Pictures Of You, e principalmente, Lullaby (#5/UK) e Lovesong (#2/USA) alcançando óptimas posições nos “tops”. Laurence Tolhurst, é afastado da banda devido aos seus problemas com o álcool e fraca contribuição para a banda. Roger O’Donnel que já tinha sido contratado anteriormente assegura a função totalmente. Após uma longa tour mundial, que inclusive passa por Lisboa, Robert despede-se com um “goodbye and I’ll never see you again”. No entanto a sua ameaça não se viria a confirmar.

Lovesong

Em 1990 Robert Smith surpreende todo o mundo com um álbum de remixes de algumas das suas mais conhecidas músicas. Mixed Up é o nome do álbum, o qual choca tanto a crítica mundial como os seus próprios fãs. Em 1992 sai um novo disco de orgiginais, Wish, que tinha a dificil missão de superar o admirável Disintegration. Por isso mesmo para muitos foi uma decepção. Mas esquecendo o facto de ser praticamente impossível superar tal álbum, Wish não deixa de ser notável. A Letter To Elise, High e especialmente Friday I’m In Love foram os singles, que mais uma vez atingiram os “tops” mundiais. Ignorando a parte comercial este álbum possui igualmente temas marcantes como Open, From the Edge of the Deep Green Sea e To Wish Impossible Things entre outras.

Os The Cure tinham atingido o auge da sua fama. Seguiu-se mais uma gigantesca tour mundial, da qual seriam editados dois álbuns, Show (com o lado mais comercial do Cure) e Paris (priorizando as canções mais intimistas). Aqui terminava mais uma fase dos The Cure. Boris Williams e Porl Thompson (tinha estado com o Robert na fase Easy Cure e tinha ingressado na banda em 1985) estavam de partida. Roger O’Donnell já tinha sido substituído em 1990 pelo roady da banda, Perry Bamonte.

Para agravar a situação, Lol Tolhurst decide colocar Robert Smith em tribunal por direitos sobre o nome da banda. Apesar de ter perdido o caso, Lol Tolhurst causa danos na banda, que neste periodo praticamente deixou de existir. Em 1995, Robert consegue juntar alguns elementos e começa a pensar num novo álbum. Roger O’Donnel é convidado de novo para os teclados, Perry deixa os teclados e passa para a guitarra a tempo inteiro, Simon continua no baixo, mas como falta um baterista após a saída de Boris, decidem colocar um anúncio na NME. Jason Cooper consegue o lugar. Em 1996 sai um novo álbum, Wild Mood Swings, após o Wish de 1992, um periodo demasiado longo, para um mundo demasiado activo e sedento de novas direcções que praticamente já os tinha esquecido e vivia absorvido pela moda do Britpop. No entanto o álbum fica bastante longe das expectativas criadas mesmo pelos próprios fãs. Um álbum bastante heterogêneo e com umas sonoridades completamente atípicas até então. Pela primeira vez um álbum da discografia oficial do Cure tinha vendido menos que o seu antecessor. Seguiu-se uma nova tour mundial e que mesmo apesar do fracasso comercial, enchia os recintos por todo o mundo.

Iniciava-se uma longa travessia no deserto, preenchida por alguns festivais de Verão, algumas colaborações e uma nova compilação de singles em 1997, mas que desta vez não teve o sucesso desejado.

Em 1998 voltam a Portugal pela terceira vez, após os concertos de Alvalade em 1989 e no Super Bock em 1995, agora regressavam para um concerto no festival do Sudoeste.

Em 2000 os The Cure regressam para segundo Robert Smith, completar a trilogia iniciada com os álbuns Pornography e Disintegration e que agora seria completada com o Bloodflowers. Logo depois da tour segundo ele acabaria com o Cure. Mais uma vez a sua “ameaça” não seria concretizada. O disco, apesar de não estar ao nível dos outros dois, reanima sem dúvida os The Cure, reavivando o entusiasmo pela banda. Segue-se uma nova Tour Mundial e uma certa aclamação pela banda. Em 2002 fazem uma nova tour Europeia por alguns dos maiores festivais do velho continente entre os quais uma vez mais o festival do Sudoeste em Portugal e no fim do ano, mais concretamente em Novembro fazem três concertos inesquecíveis, os famosos concertos da trilogia (Pornography, Disintegration e Bloodflowers). Em cada uma destas três noites a banda apresentou-nos ao vivo estas três obras completas perante uma audiência em delírio. As duas últimas noites podem ser revistas parcialmente no DVD “Trilogy” entretanto editado pela banda. Várias bandas internacionais começam a nomear os The Cure como uma das suas maiores influências, assim como uma nova geração de bandas que começava a surgir. Smashing Pumpkins, Placebo, Interpol, Mogwai, Deftones, Bloc Party são algumas das bandas que podemos referir, já não referindo uma enorme lista de bandas góticas que foram obviamente muito influênciadas pelos The Cure. A banda é considerada uma das bandas que mais influênciou o rock alternativo moderno. E com isto a banda recebe um prémio da revista inglesa Q, “The Most Inspiring Band” perante uma plateia que recebeu Robert Smith de pé. Em 2004 lançam um novo álbum, The Cure é o nome do novo álbum. Aclamado pela imprensa internacional e pelos fãs, segundo a imprensa, o melhor álbum desde o Disintegration.

A MTV promove uma homenagem aos The Cure com a presença e depoimentos de várias bandas. Entram para o Rock Walk of Fame, e passam a figurar ao lado das maiores lendas da música mundial. Após uma pequena Tour Europeia, que desta vez passa pelo festival de Vilar de Mouros, Robert promove uma nova revolução na banda. Perry e Roger saem da banda sem grandes revelações dos motivos de tal e Porl Thompson, guitarrista e ídolo dos fãs da banda estava de regresso. Nova tour com a “nova” banda seguiu-se em 2005 e a promessa de um novo álbum em 2006, que entretanto foi adiado para 2007. As gravações estão em curso…

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