Bud Powell

Publicado: 01/05/2007 em Bebop, Bud Powell, Jazz

Bud PowellGaroto prodígio do Harlem, Bud Powell começou a tocar piano ainda aos cinco anos de idade; aos sete já era levado por músicos de jazz a concertos e ensaios para ser admirado por outros músicos; e aos dez já imitava músicos como Fats Waller e Art Tatum, sendo este último a maior influência sobre ele. Na adolescência conhece seu amigo, guru e admirador Thelonious Monk.

Excêntrico e solitário, aos vinte anos leva pancadas na cabeça de um policial durante uma briga de bar, ao que se seguem fortes dores de cabeça, e ainda maior estado de “ausência”. É internado de hospital em hospital. No entanto, no mesmo período ajuda a criar, ao lado de Charlie Parker, Thelonious Monk e Dizzy Gillespie o bebop. Powell era um dos únicos músicos capazes de desafiar Parker em duelos, como os de “Round Midnight”, em histórica gravação ao vivo no Birdland.

Em 1941 já tem um nome relativamente estabelecido no meio musical nova-iorquino e é convidado pelo ex-trompetista da orquestra de Duke Ellington, Cootie Williams, a excursionar com sua banda. Agravam-se seus problemas com a bebida, e passa dias perambulando pelas ruas, voltando para casa com a ajuda de amigos como o então adolescente e admirador Jackie McLean, que cuidou dele durante certo período.

Anos mais tarde, é preso junto com Monk por porte de drogas e é mais uma vez mandado para uma instituição psiquiátrica, onde permanece por um ano e meio. Lá recebe sessões de eletrochoque e só lhe é permitido tocar piano uma vez por semana, sob supervisão. Sua memória foi seriamente danificada, não se lembrando de amigos próximos, como Monk, e não reconhecendo gravações suas. Ao sair estava ainda mais alterado; seu estilo fica definitivamente prejudicado, e durante os anos 50 suas apresentações são por vezes geniais e freqüentemente pobres.

Em 1959 muda-se para Paris, acompanhado de uma moça a quem chamava de “Buttercup” (algo como “chuchu”) e que se dizia sua esposa; no entanto, nunca foram casados. Tempos mais tarde, seu amigo Francis Paudras descobre que a tal moça lhe dá doses diárias (e cavalares) de calmantes, e junto com Johnny Griffin o afasta de Buttercup.

Bud Powell melhora e volta a escrever música. Compõem um tema cheio de vida intitulado “In the Mood for a Classic”, dedicado ao povo francês, que tanto apreciava a sua música e o tratou com muito carinho nos cinco anos que lá viveu. Então o amigo francês Paudras consegue agendar seis semanas para o amigo no Birdland de Nova York. Bud recebe mais atenção em seu retorno do que em toda sua carreira, e seu retorno é um sucesso. Mas não leva muito tempo para que o comportamento irregular de Powell atrapalhe seus planos novamente, e o contrato de seis semanas é cancelado antes de seu término, só se apresentando mais duas vezes em público.

Solto em Nova York, Powell retorna à sua vida errática e auto-destrutiva. Volta a beber descontroladamente, o que o leva à morte por cirrose hepática aos 41 anos. Apesar do curto tempo de vida (passado, em grande parte, em instituições mentais) e das poucas gravações, Powell figura entre os maiores nomes do jazz.

Bud Powell Trio – Anthropology

Fernando Jardim (site EJAzz) Acesse este excelente site.

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