Max Roach

Publicado: 01/05/2007 em Bateristas, Jazz, Max Roach

Max RoachFilho de uma cantora de gospel, Maxwell Lemuel Roach começou a tocar bateria aos dez anos e depois estudou na Manhattan School of Music. Aos dezoito anos já tocava no Monroe’s Uptown House (onde era o baterista titular) e no Minton’s Playhouse – vale dizer, estava no lugar certo e na hora certa para tomar parte em um grande acontecimento: o nascimento do bebop. Roach teve a oportunidade de acompanhar quase todos os principais nomes do novo estilo; em particular, nos anos seguintes fartou-se de tocar com Charlie Parker, Dizzy Gillespie, Kenny Clarke e Bud Powell, e participou de inúmeras gravações antológicas na segunda metade dos anos 40. Em 1952, fundou a Debut Records juntamente com Charles Mingus, e em 1953 fez sua primeira sessão de gravação como líder. Em 1954 formou com o trompetista Clifford Brown um quinteto que se tornaria uma referência dentro do hard bop, infelizmente sofrendo um forte baque com a morte prematura de Brown em 1956. (Kenny Dorham então assumiria o lugar de Brown.)

Em 1960, após uma importante manifestação negra de Grensboro, na Carolina do Norte, Roach gravou We Insist! Freedom Now Suite, disco que selou seu engajamento com o movimento dos direitos civis nos EUA, do qual participaria ativamente durante os anos 60. Para isso contribuiu o incentivo recebido da cantora e ativista Abbey Lincoln, com quem Roach foi casado entre 1962 e 1970. Em 1970, Roach formou um supergrupo de percussão, o M’Boom, que se manteria ativo durante as décadas seguintes. Em 1972 foi nomeado professor na Universidade de Amherst, Massachussetts. Durante os anos 70, fez duos com importantes músicos de vanguarda, como Archie Shepp, Anthony Braxton e Cecil Taylor. Nos anos 80, gravou com uma inovadora formação de quarteto duplo (quarteto de jazz + quarteto de cordas). Mais recentemente, experimentou a aproximação com a música oriental, em particular a música chinesa (Beijing Trio, de 1998).

Com Max Roach, a bateria no jazz atinge a maturidade. A revolução da qual ele representa o ponto culminante fora iniciada por Sidney Catlett e, principalmente, por Kenny Clarke, porém a bateria ainda não se libertara completamente de uma posição subordinada, de mera acompanhante. Roach executa a transição para uma bateria que se coloca no mesmo plano dos outros instrumentos, podendo mesmo assumir o papel de líder. Mais importante ainda, Roach confere à bateria um discurso próprio. Os críticos Richard Cook e Brian Morton levantam a interessante tese de que todas as revoluções no jazz são, em última análise, revoluções na seção rítmica. Tal tese se ajusta bem pelo menos ao caso de Roach. Não apenas ele é um inovador na linguagem de seu instrumento como teve participação ativa na gênese de pelo menos dois estilos musicais: o bebop e o hard bop. E é visível o quanto esses estilos devem a bateristas como Roach, Clarke e Art Blakey.

Roach conduziu durante toda a carreira uma intensa experimentação musical que desafia classificações: primeiro o bebop, depois o hard bop, o M’Boom, as performances solo, os duos, os quartetos de cordas e as grandes formações. Dos anos 70 em diante, ele deu um salto qualitativo, mostrando estar sintonizado com o que há de mais avançado na música contemporânea, e passando a incorporar em sua música uma investigação sobre a própria noção de tempo musical. Além de virtuose consumado de seu instrumento, Roach sempre demonstrou uma notável abertura em relação a novas influências e novas linguagens. Finalmente, como vimos, a influência de Roach não se limita ao conteúdo propriamente musical: trata-se de um artista engajado, que colocou em sua arte a preocupação com a questão dos direitos civis nos EUA, com a situação do continente africano, e com a valorização da cultura e da música do chamado terceiro mundo. Podemos dizer que, sem dúvida, Max Roach é um modelo de integridade artística, profundidade intelectual e excelência técnica dentro do jazz moderno.

(V.A. Bezerra, 2001) Texto extraído do site Ejazz, clique aqui para visitar

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