Jethro Tull

Publicado: 13/05/2007 em Flautistas, Jethro Tull, Rock Progressivo

Jethro TullJethro Tull é uma banda de rock progressivo formada em Blackpool nos anos 60. Sua música é marcada pelo estilo vocal cheio de maneirismos e o trabalho único na flauta de seu líder Ian Anderson, além de uma complexa e pouco usual construção musical. Seu estilo incorpora elementos de música clássica e celta, assim como do rock alternativo e do art rock. Entretanto, é difícil especificar quais artistas tiveram influência direta ou foram influenciados pelo Jethro Tull. Mais do que qualquer outra banda, sua música permanece à parte do restante do rock.

Os primórdios da banda

O Jethro Tull passou pelo seu “calvário” em clubes britânicos nos anos 60, com uma formação instável que eventualmente se cristalizaria em Ian Anderson (vocais, flauta, violão e mais tarde diversos outros instrumentos), Mick Abrahams (guitarra), Glenn Cornick (baixo) e Clive Bunker (bateria). A princípio a banda passou por inúmeras mudanças de nome para conseguir mais shows, e que Jehtro Tull foi o que acabou ficando depois que conseguiram um contrato com uma gravadora (o nome vem do agricultor Jethro Tull que inventou a semeadeira). Os empresários então sugeriram que Abrahams assumisse os vocais e a guitarra e que a flauta fosse eliminada, relegando Anderson ao piano rítmico. Depois de uma sucessão de compactos mal sucedidos, eles lançam This Was em 1968, altamente influenciado pelo blues e composto por Anderson e Abrahams.

Depois desse álbum, Abrahams deixou o grupo, (formando sua própria banda, Blodwyn Pigs), devido principalmente à “diferenças musicais” (Abrahams preferia continuar tocando blues, que Anderson taxava de estilisticamente limitado e de vocabulário restrito aos ingleses de “classe média”). Depois de uma série de audições (ao contrário de rumores, tais audições não contaram com Tony Iommi do Black Sabbath, que na verdade só concordou em aparecer no Rock’n’Roll Circus dos Rolling Stones para tocar “A Song For Jeffrey”), o ex-integrante das bandas Motivation, Penny Peeps e Gethsemane Martin Barre foi contratado como o novo guitarrista. Barre se tornaria o segundo integrante mais antigo da banda depois de Anderson.

Rock progressivo

Esta nova formação lançou Stand Up em 1969. Composto inteiramente por Anderson (com exceção de “Bouree”, de Johann Sebastian Bach, aqui adaptada para um formato jazzístico), demonstrava o abandono do blues em favor do nascente estilo de rock progressivo, então em desenvolvimento por grupos como King Crimson, The Nice e Yes. Em 1970 eles adicionaram o tecladista John Evan, embora tecnicamente ele fosse apenas um músico convidado, e lançaram o álbum Benefit.

O baixista Cornick abandonou a banda logo após Benefit, sendo substituído por Jeffrey Hammond-Hammond, e esta formação lançou em 1971 o trabalho mais conhecido da carreira do Tull: Aqualung. O álbum é uma combinação de rock pesado focado em temas como párias sociais e cultos religiosos mesclados a experimentos acústicos sobre a vida mundana do cotidiano. Aqualung é adorado e odiado em iguais proporções, embora a faixa título e “Locomotive Breath” sejam constantes em rádios de rock clássico.

Quem saiu em seguida foi o baterista Bunker, substituído por Barriemore Barlow, e o álbum de 1972 da banda foi Thick as a Brick. Trata-se de um álbum conceitual consistindo de uma única longa música separada entre os dois lados do LP, com um número de movimentos integrados e alguns temas repetidos. O quinteto deste álbum – Anderson, Barre, Evan, Hammond-Hammond e Barlow – foi a formação mais duradoura do Tull, permanecendo a mesma até 1975.

1972 também viu o lançamento de Living in the Past, um álbum duplo compilando os compactos, lados-B e sobras de estúdio da banda, com um dos lados sendo gravado ao vivo em 1970. Com exceção das faixas ao vivo, esse é considerado pela maioria dos fãs do Tull como o seu melhor lançamento. A faixa título foi um dos compactos de maior sucesso do grupo.

Em 1973 a banda tentou gravar um álbum duplo (exilada em Chateau d’Herouville para se livrar dos impostos, o mesmo que os Rolling Stones e Elton John, entre outros, estavam fazendo na época), mas, supostamente insatisfeitos com a qualidade do estúdio, abandoram o projeto. Ao invés disso gravaram rapidamente e lançaram A Passion Play, outro álbum conceitual de uma só música, com letras bastante alegóricas. Depois de anos de popularidade crescente para a banda, A Passion Play vendeu relativamente bem mas acabou recebendo diversas críticas negativas. Até então Anderson tinha um relacionamento amigável com a imprensa de rock, mas este álbum acabou marcando um ponto de transição para o Tull. Sua unanimidade entre os críticos diminuiu, seguida pelo declínio de popularidade entre o público. War Child (1974), contudo, recebeu críticas favoráveis, e produziu o sucesso “Bungle in the Jungle”. Também traz uma certa canção, “Only Solitaire”, supostamente dirigida a um compositor que estava entre os mais árduos críticos de Anderson.

Em 1975 a banda lançou Minstrel in the Gallery, um álbum que lembrava Aqualung em seu trabalho bombástico encabeçado pela guitarra de Barre em contraste às peças acústicas mais leves. Depois desse álbum, Hammond-Hammond saiu da banda, sendo substituído por John Glascock.

Too Old to Rock And Roll, Too Young to Die!, de 1976, foi outro álbum conceitual, desta vez sobre a vida de um roqueiro de meia idade. Anderson, atormentado pelas críticas (particularmente as de A Passion Play), respondeu com mais versos afiados. A imprensa pareceu não perceber a alfinetada, e ao invés disso quis saber se o título do álbum era autobiográfico – uma acusação que Anderson negou veementemente.

Folk rock

A banda fechou a década com um trio de álbuns de folk rock, Songs from the Wood, Heavy Horses e Stormwatch. Songs from the Wood foi o primeiro álbum do Tull a receber críticas na maioria positivas desde a época de Benefit e Living in the Past.

A banda teve longos flertes com os roqueiros folk do Steeley Span. Embora não formalmente considerada como parte do movimento folk-rock (que na verdade começou quase uma década antes com o advento do Fairport Convention), havia claramente várias trocas de idéias musicais entre o Tull e os roqueiros folk. Durante esta época, David Palmer, que havia feito alguns arranjos de cordas nos primeiros álbuns do Tull, entrou oficialmente para a banda, tocando principalmente teclado.

O baixista Glascock morreu em 1979 depois de uma cirurgia no coração, e Stormwatch teve de ser finalizado sem ele (Anderson foi o baixista em algumas das faixas). Ian decide então gravar seu primeiro disco solo.

Rock eletrônico

Por pressão da gravadora, Anderson lançou seu disco solo como um álbum do Tull em 1980. Entitulado A, apresentava Barre na guitarra, Dave Pegg no baixo e Mark Craney na bateria. Com uma pegada mais eletrônica, trazida pelo tecladista convidado Eddie Jobson, soava e parecia completamente diferente de tudo lançado pelo Tull até então.

Craney debandou após a turnê de A e o Tull entrou em um período de trocas frequentes de baterista (principalmente entre Gerry Conway e Doane Perry). Peter-John Vettese substituiu Jobson nos teclados e a banda retornou ao som folk – embora com sintetizadores – lançando The Broadsword and the Beast em 1982. 1981 marcou o primeiro ano na história do grupo em que eles não lançaram um álbum.

Em 1984 o Jethro Tull lançou Under Wraps, um álbum fortemente calcado no eletrônico. Embora a banda estivesse supostamente orgulhosa do som, o disco não foi bem recebido e como resultado disso (ou do problema de garganta adquirido por Anderson cantando as músicas de Under Wraps na turnê do disco, ou por ambos os motivos), o Tull entrou em um hiato de três anos durante os quais Ian começou uma bem sucedida carreira de criador de salmão.

A era moderna

 

Ao vivo em Nápoles, 1998

 


Ao vivo em Nápoles, 1998

O Tull voltou mais forte do que se poderia esperar com Crest of a Knave, em 1987. Com a ausência de Vettese (Anderson contribuiu com a programação dos sintetizadores) e se firmando mais na guitarra de Barre como não acontecia desde os anos 70, o álbum acabou sendo um sucesso de crítica e de vendas. Eles ganhariam um Grammy em 1989 como melhor “Performance de Rock Pesado/Metal”, derrotando os favoritos Metallica. O prêmio foi particularmente controverso pois muitos não consideram o Jethro Tull como uma banda de rock pesado, muito menos de heavy metal. O fato de este ser o primeiro Grammy dado ao rock pesado foi visto pelos fãs do estilo como um insulto (depois disso, e talvez por culpa disso, nos anos seguintes prêmios separados seriam entregues aos melhores do rock pesado e do heavy metal). Em resposta às críticas pelo prêmio, a banda supostamente pagou um anúncio em um periódico musical britânico com a frase “A flauta ‘É’ um instrumento de metal pesado!”. O estilo de Crest foi comparado ao dos Dire Straits, em parte por Anderson, que parecia não mais ter o alcance vocal de antes.

Desde então a banda têm lançado uma variedade de álbum de estilo similiar à Crest, mas também incorporando mais influências folk. O mais notável é A Little Light Music, de 1992, um álbum em grande parte acústico que foi bem recebido pelos fãs devido à suas versões diferentes de muitas composições antigas.

Anderson lançou vários discos solo desde o começo dos anos 80 e nos anos 90 Barre também deu início a uma carreira solo. Anderson e Barre permaneceram como o centro da banda (Peggy finalmente saiu em 1995, sendo substituído por Jonathan Noyce). Em 1996 uma combinação de artistas de rock progressivo lançaram um tributo ao Tull, To Cry You a Song, que incluía contribuições de diversos ex-integrantes da banda.

A banda entrou no século XXI e continua a lançar álbuns inéditos com o passar dos anos. Neste princípio dos anos 2000 a voz de Anderson parece estar retomando um pouco do seu alcance de antigamente.

Álbuns de estúdio

  1. This Was (1968)
  2. Stand Up (1969)
  3. Benefit (1970)
  4. Aqualung (1971)
  5. Thick as a Brick (1972)
  6. A Passion Play (1973)
  7. War Child (1974)
  8. Minstrel in the Gallery (1975)
  9. Too Old to Rock ‘n’ Roll: Too Young to Die! (1976)
  10. Songs from the Wood (1977)
  11. Heavy Horses (1978)
  12. Stormwatch (1979)
  13. A (1980)
  14. Broadsword and the Beast (1982)
  15. Under Wraps (1984)
  16. A Classic Case (1985) (álbum orquestral cover)
  17. Crest of a Knave (1987)
  18. Rock Island (1989)
  19. Catfish Rising (1991)
  20. Roots to Branches (1995)
  21. J-Tull Dot Com (1999)
  22. The Jethro Tull Christmas Album (2003)

Coletâneas

  • Living in the Past (1972)
  • M.U. – The Best of Jethro Tull (1976)
  • Repeat – The Best of Jethro Tull – Vol II (1977)
  • Original Masters (1985)
  • 20 Years of Jethro Tull (1988)
  • 20 Years of Jethro Tull: Highlights (1988)
  • 25th Anniversary boxed set (1993)
  • The Best of Jethro Tull (1993)
  • Nightcap (1993)
  • The Ultimate Set (1997)
  • Through the Years (1998)
  • Collection (1998)
  • The Very Best of Jethro Tull (2001)
  • Essential Jethro Tull (2003)

Ao Vivo

  • Bursting Out (1978)
  • Live at Hammersmith ’84 (1990)
  • A Little Light Music (1992)
  • Living with the Past (2002)
  • Nothing Is Easy: Live at the Isle of Wight 1970 (2004)
  • Aqualung Live (2005)

Vídeos

  • Slipstream (1981)
  • 20 Years of Jethro Tull (1988)
  • 25th Anniversary Video (1994)
  • Living with the Past (2002)
  • A New Day Yesterday (2003)
  • Nothing Is Easy: Live at the Isle of Wight 1970 (2005)

Formação atual

  • Ian Anderson (1968-presente) (gaita, violão, guitarra, flauta, mandolin, vocais)
  • Martin Barre (1969-presente) (guitarra, flauta)
  • Doane Perry (1984-presente) (bateria)
  • Andrew Giddings (1991-presente) (teclado)
  • Jonathan Noyce (1995-presente) (baixo)

Bateristas

  • Clive Bunker (1968-1971)
  • Barriemore Barlow (1971-1980)
  • Mark Craney (1980-1981)
  • Phil Collins (1982) (no evento Prince’s Trust Gala)
  • Gerry Conway (1982, 1987)
  • Paul Burgess (1982) (apenas na turnê)
  • Dave Mattacks (1991-1992)

Baixistas

  • Glenn Cornick (1968-1970)
  • Jeffrey Hammond-Hammond (1970-1975)
  • John Glascock (1975-1979)
  • Tony Williams (1978) (substituto temporário de Glascock)
  • Dave Pegg (1979-1995)

Tecladistas

  • John Evan (1970-1980)
  • David Palmer (1976-1980)
  • Eddie Jobson (1980-1981)
  • Peter-John Vetesse (1982-1985)
  • Martin Allcock (1988-1992)

Guitarristas

  • Mick Abrahams (1968)
  • Tony Iommi (1968) (apenas na apresentação dublada no Rolling Stones’ Rock and Roll Circus)

Referências na Cultura Pop

  • Na série infantil brasileira A Turma da Garrafinha, o personagem Musicão aparece na maioria das vezes cantarolando o riff de ‘Aqualung’.
  • Em um episódio da série Friends, Phoebe revela que possui um caderno aonde anota todos os homens com quem já saiu. Uma das anotações é Jethro Tull – fica implícito que ela saiu com a banda inteira.
  • No filme Armageddon, o personagem de Owen Wilson, Oscar, ao ser perguntando pelo psicológo sobre qual era a coisa que mais o irritava, diz que é “gente que acha que Jethro Tull é o nome de um dos membros da banda”.
  • Em um episódio da série Everybody Loves Raymond, é revelado que Robert fugiu de casa para ver um show do Jethro Tull, e, após ficar bêbado, ficou “disposto a bater em qualquer um que não concordasse que ‘Bungle in the Jungle’ era a melhor música já feita”.
  • Na música Samba do Approach, Zeca Baleiro diz: “Já fui fã do Jethro Tull, hoje me amarro no Slash”.
  • No Brasil, o Jethro Tull já se apresentou várias vezes. Uma referência ao estilo on the road da banda, foi a apresentação no Teatro do Bar Opinião (12 de março de 1996) em Porto Alegre. Desde o primeiro tour em 1988, incluindo a programação de 2007, serão 6 tours pelo Brasil.

Para ver mais Jethro Tull clique aqui.

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