Michael Jackson

Publicado: 12/08/2007 em Michael Jackson

Michael Joseph Jackson (Gary, Indiana, 29 de agosto de 1958, Faleceu em LA em 25/06/2009), conhecido simplesmente como Michael Jackson, é um cantor, compositor, produtor, diretor, dançarino e instrumentista norte-americano que começou a carreira aos 5 anos de idade como líder vocal do grupo Jackson 5. Se lançou em carreira solo no início dos Anos 70, ainda pela Motown, gravadora responsável pelo sucesso do grupo formado por ele e os irmãos. Em idade adulta, gravou o álbum mais vendido da história, Thriller[1]; acumulou recordes e prêmios; e colocou um total de 20 canções no topo das paradas de sucesso.

Nos anos 80, foi um criador de estilo, especialmente na dança, música e videoclipe. Nos anos 90 se envolveu em escândalos de pedofilia e abuso sexual. Por isso, interrompeu a carreira em duas ocasiões: em 1993 e em 2003, quando foi indiciado por sete crimes, julgado e inocentado perante júri popular. Atualmente prepara o lançamento do décimo álbum de estúdio para o verão americano de 2007.

Biografia

Michael é o sétimo de nove filhos de Joseph e Katherine Jackson. A família inteira – incluindo os irmãos mais velhos, Rebbie, Jackie, Tito, Jermaine, LaToya e Marlon, e os mais novos, Randy e Janet – viveram juntos em uma pequena casa de dois quartos, e o pai sustentava a casa a duras penas trabalhando num moinho. Por vontade da mãe, mas contra o desejo do pai, as crianças tornaram-se Testemunhas de Jeová e passaram a praticar a evangelização de porta em porta.

De acordo com as regras rígidas do pai, Joseph, as crianças eram mantidas trancadas em casa enquanto ele trabalhava até tarde da noite. Entretanto, as crianças escapavam freqüentemente para as casas dos vizinhos, onde cantavam e faziam música. Os irmãos mais velhos mexiam na guitarra do pai Joseph sem sua permissão enquanto ele estava no trabalho. Até que um dia Joseph tomou consciência do talento de seus filhos e resolveu ganhar dinheiro com isso, e assim sair de Gary e ir para a Califórnia, para mais tarde serem contratados pela Motown.

Carreia Solo

Em 1978, Michael co-estrelou The Wiz no papel do espantalho com sua companheira de gravadora, Diana Ross, como Dorothy. As canções do filme foram arranjadas e produzidas por Quincy Jones, que tinha simpatia por Michael. Após assinar o contrato com a Epic em 1978, Michael trabalhou com Quincy em muitos álbuns.

Depois do inesperado sucesso do álbum Destiny, dos Jacksons, em 1978, Michael teve a oportunidade de retomar a carreira solo, que havia abandonado em 1975 quando o grupo formado por ele e os irmãos deixou a Motown. O astro tinha conquistado respeito junto à diretoria da Sony Music depois de compor e produzir sete canções para os Jacksons, entre elas “Shake Your Body (Down To The Ground)”, que colocou o grupo de volta às listas dos mais vendidos nos Estados Unidos e no mundo.

Michael começou a gravar Off The Wall durante a primavera americana de 1979. Com a produção de Quincy Jones, Jackson selecionou dez músicas que deram forma ao primeiro álbum solo lançado por ele em idade adulta. Off The Wall causou furor entre o público e a mídia especializada. A mistura de black music e disco do álbum tornou-se referência nos anos que se seguiram. Michael ganhou seu primeiro Grammy com o compacto de “Don’t Stop ‘Till You Get Enough”, uma canção escrita e produzida por ele. Foram dois anos de constante exposição no rádio e na televisão. Foi a primeira vez que um artista colocou quatro músicas de um mesmo álbum entre as dez mais tocadas tanto no Reino Unido quando nos Estados Unidos. Em 1980, Off The Wall já era o álbum de black music mais vendido da história. Os números chegam, atualmente, a 19 milhões de cópias.

Apesar de ter vendido com um único álbum solo mais do que os Jacksons haviam conseguido na carreira de 11 anos, Michael resolveu continuar com os irmãos, atendendo a pedidos da mãe.

O álbum mais vendido da história

Depois de lançar mais um disco com os Jacksons em setembro de 1980 e cumprir uma apertada agenda de divulgação que incluía especiais no rádio e uma seqüência de 39 shows pelos Estados Unidos, Michael tinha pouco tempo para gravar o álbum que sucederia Off The Wall. Ainda assim, aceitou um convite do cineasta Steven Spielberg para narrar a história do filme E.T., O Extraterrestre (1982) em um disco que ainda incluiria a canção inédita “Someone In The Dark”.

Jackson resolveu trabalhar nos dois projetos simultaneamente, o que gerou desconforto na Sony Music. O disco narrado por Michael seria distribuído pela MCA Records no mesmo mês em que a gravadora tinha agendado o lançamento de Thriller. A Sony Music entrou na Justiça e conseguiu cancelar o projeto. Enquanto isso, Jackson concluiu as gravações de Thriller. O álbum foi finalizado em seis meses e lançado em novembro de 1982, depois de vários adiamentos.

Thriller é actualmente o álbum mais vendido da história, com mais de 104 milhões de cópias vendidas no mundo[2] (certificado pelo Livro de Recordes, o Guiness). Nos dois anos que se seguiram ao lançamento, o álbum foi a maior sensação da América, influenciando não somente a música, como também a dança, a moda e a televisão. Thriller chegou à primeira posição entre os mais vendidos dos Estados Unidos no dia 21 de fevereiro de 1983 e permaneceu lá por 37 semanas, um recorde. Sete compactos foram lançados e dois conquistaram o primeiro lugar, “Billie Jean” e “Beat It”.

Thriller foi também um marco na luta contra a discriminação racial na indústria fonográfica. Jackson tornou-se o primeiro artista negro cuja música estava no ar na MTV, com o videoclipe de “Billie Jean”, dirigido por Steve Baron. A canção “Beat It”, que tinha participação do guitarrista Eddie Van Halen, fez rádios de rock, na época orientadas a um público essencialmente branco, tocarem a canção de um negro; e fez rádios de black music tocarem rock. Um feito inédito até então.

Durante a divulgação de Thriller na noite de 16 de maio de 1983, 3 mil celebridades norte-americanas lotaram um teatro em Los Angeles para assistir a uma apresentação comemorativa dos 25 anos da gravadora Motown. De suas casas, 50 Milhões de norte-americanos acompanharam pela TV a apresentação dos vários artistas negros, até que os Irmãos Jacksons entram e dão um show a parte que encantou a todos, mais eles vão embora, até que Michael Jackson se viu sozinho no palco. Ele começou a cantar “Billie Jean” , sucesso do álbum que havia lançado seis meses antes. De repente, Michael parou de cantar, andou até o canto esquerdo do palco e voltou… deslizando de costas. A cena, que ficou gravada para a posteridade, é impressionante: são 3 mil queixos caídos. Naquela noite, mais do que mostrar pela primeira vez o passo que batizou como “Moonwalk” (algo como “andando na lua”), Michael Jackson foi dormir consagrado como nada menos que o Rei do Pop. “Foi aquele momento que cristalizou o status de celebridade de Michael Jackson”, cravou a prestigiada revista americana Rolling Stone. “Moonwalk, no mundo do entretenimento, só é comparável ao andar de vagabundo de Chaplin, à sequência de Gene Kelly em Dançando na Chuva e aos passos de Fred Astaire no filme Núpcias Reais”. Pois depois daquela apresentação, tanto Fred Astaire quanto Gene Kelly foram atrás de Jackson para parabenizá-lo. Foi quando o astro estreou o chapéu e jaqueta pretos e a famosa luva de lantejoulas. Em dezembro daquele ano, Michael e o diretor John Landis estabeleceram também novos horizontes para a produção de videoclipes, quando um curta-metragem de 14 minutos foi lançado para promover a canção “Thriller” ao custo de 600 mil dólares, elevado para os padrões da época.

Também em tempo para o Natal de 1983, um segundo dueto entre Jackson e Paul McCartney chegou às lojas. “Say Say Say” tornou-se o sexto número um de Jackson na América e o nono do ex-Beatle.

Em 27 de janeiro de 1984, Michael Jackson sofreu um acidente enquanto gravava o segundo comercial para a televisão do contrato de 5 milhões de dólares que havia assinado para ser garoto-propaganda da Pepsi. O cabelo do astro foi incendiado por fogos de artifício. Ele teve queimaduras de segundo grau no couro cabeludo. Michael foi liberado do hospital um dia depois da internação.

Em março de 1984, Jackson lançou em VHS o videoclipe de “Thriller” acompanhado por um documentário sobre os bastidores da produção. A fita, entitulada Making Michael Jackson’s Thriller, vendeu 14 milhões de unidade e tornou-se a mais vendida de todos os tempos, até ser superada pela do filme Titanic, de James Cameron, em 1997. Em maio seguinte, Thriller entrou para o livro dos recordes e Michael ganhou uma estrela na Calçada da Fama, em Hollywood. Ao final de 1984, Jackson já havia conquistado 94 prêmios por Thriller. Na cerimônia do Grammy Awards daquele ano, o astro estabeleceu um novo recorde conquistando oito prêmios. A marca foi igualada pelo guitarrista mexicano Carlos Santana com o álbum Supernatural, em 2000.

‘We Are The World’ e o lançamento de ‘Bad’

Com o sucesso de Thriller, o interesse do público e da imprensa por Jackson era crescente. Tornaram-se notórios não somente os hábitos pouco usuais do astro, mas também os trabalhos humanitários de Michael, especialmente em prol de crianças e adolescentes. Em maio de 1984, Jackson participou do lançamento de uma campanha contra as drogas na Casa Branca como convidado do presidente americano Ronald Reagan. Em julho, Michael gerou manchetes quando anunciou que reverteria todos os lucros da turnê do álbum Thriller para caridade. A Victory Tour, com 55 concertos em cidades dos Estados Unidos e Canadá, arrecadou 75 milhões de dólares.

14 de Maio, 1984, em visita à Casa Branca sobre a campanha contra as drogas

14 de Maio, 1984, em visita à Casa Branca sobre a campanha contra as drogas

Em 1985, Michael Jackson se uniu a Lionel Richie e Quincy Jones na missão de arrecadar fundos para a campanha USA for Africa. A idéia era gravar uma canção cujos lucros seriam revertidos para reduzir os índices de mortalidade pela fome no continente africano. Lionel compôs, no piano, a melodia. Michael escreveu a letra em um único dia. O resultado eles chamaram de “We Are The World”. Para gravar a canção, Quincy Jones convidou 44 celebridades da música e televisão, incluindo Cyndi Lauper, Diana Ross, Ray Charles e Stevie Wonder. O projeto arrecadou 200 milhões de dólares para a luta contra a fome na Etiópia.

Michael ganhou dois Grammys por “We Are The World”: “Canção do Ano” (com Lionel Richie) e “Gravação do Ano” (com Quincy Jones). A canção recebeu também outros dois prêmios na cerimônia.

Depois de Thriller, Jackson adiou o lançamento de um novo disco por várias vezes. Somente em 1986 o público conheceu uma das músicas selecionadas para fazer parte do que seria o álbum Bad. A canção “Another Part Of Me” fazia parte da trilha-sonora do filme Captain EO, produzido por George Lucas e Francis Ford Coppola. Michael estrelava o curta-metragem filmado todo em 3D para a Disney ao custou de um milhão de dólares por minuto. Até 1998, o filme ainda era exibido em parques temáticos da companhia.

Jackson lançou Bad em agosto de 1987, com dois anos de atraso. Para a mídia especializada, o álbum era pouco ousado e uma decepção na comparação com Thriller (1982) ou Off The Wall (1979). Em contrapartida, o público respondeu bem e fez de Bad um grande sucesso. Não tão grandioso quanto Thriller, mas um grande sucesso. O álbum vendeu 30 milhões de cópias em todo o mundo e permaneceu durante algum tempo como o segundo mais vendido da história.

Fevereiro de 1988, em visita ao Kahala Hilton Hotel

Fevereiro de 1988, em visita ao Kahala Hilton Hotel

Bad ainda teve um recorde de nove canções lançadas como compacto. Cinco delas chegaram à primeira posição nos Estados Unidos: “I Just Can’t Stop Loving You” (com a estreante Siedah Garrett), “Bad”, “The Way You Make Me Feel”, “Man in the Mirror” e “Dirty Diana”. Foi a primeira vez que um artista colocou cinco músicas de um mesmo álbum em primeiro lugar.

Durante a divulgação de Bad, a publicação de excentricidades sobre a vida de Michael adquiriu contornos enfáticos. Verdades ou mentiras, tornaram-se parte da imagem que se criou em torno de Jackson. Foi noticiado, por exemplo, que o astro tentou comprar os ossos e roupas de John Merrick, o Homem Elefante. Que ele teria uma parte do próprio nariz, retirada em cirurgia plástica, conservada em uma jarra dentro de casa. Que dormia em uma câmara hiperbárica para retardar o envelhecimento.

Na época, as alterações na aparência de Michael eram visíveis e geravam muita polêmica. Os jornais especulavam sobre dezenas cirurgias plásticas, apesar do astro confirmar apenas duas, e possíveis razões para a mudança na cor da pele dele, que estava branca. Especialistas acreditavam que Michael teria se submetido a um tratamento intensivo com hidroquinona, uma substância capaz de clarear a pele. Em 1993, durante entrevista à apresentadora Oprah Winfrey, Jackson afirmou sofrer de vitiligo, uma doença autoimune não contagiosa em que ocorre a perda da pigmentação.

Em setembro de 1987, Michael deu início à Bad World Tour, a primeira turnê mundial dele como artista solo, que passou em 15 países e atraiu 4.4 milhões de pessoas aos estádios – um recorde de público que seria superado pelo próprio Michael duas vezes, em 1992 e 1997.

Em 1988, o astro lançou a autobiografia Moonwalk e o filme Moonwalker, dirigido essencialmente por Jerry Kramer, que continha os videoclipes de “Smooth Criminal” e “Leave Me Alone”. O longa-metragem ainda deu origem a um jogo de videogame de mesmo nome para fliperamas, Sega Mega Drive e Sega Master System. Jackson ganhou um Grammy pelo videoclipe de “Leave Me Alone” em 1989.

Bad foi a última colaboração de Jackson com o produtor Quincy Jones.

Neverland e a polêmica de ‘Black Or White’

Em maio de 1988, Michael Jackson se mudou da residência da família, Hayvenhurst, em Encino, para um rancho recém-adquirido no vale de Santa Ynez, ao norte de Los Angeles, também na Califórnia. A propriedade, de 2.7 mil acres, foi batizada de Neverland (Terra do Nunca, em português) – uma referência ao livro Peter Pan (1906), de J. M. Barrie. O astro morou sozinho no rancho por 17 anos em busca de privacidade. Não funcionou. Pelo contrário, o isolamento só fez com que aumentasse o interesse do público e, consequentemente, da imprensa sobre a vida dele.

Em março de 1990, Michael Jackson assinou um contrato recorde de 890 milhões de dólares com a Sony Music que asseguraria a permanência dele na gravadora por mais 15 anos. Nesse período, ele deveria lançar seis álbuns e receberia 18 milhões em antecipação por cada um deles. No livro dos recordes, Jackson passou a ser citado como o artista mais bem pago da indústria da música.

Em 1990, durante o American Music Awards, Elizabeth Taylor discursava sobre a vida musical de Jackson quando finalizou: Em minha estima, ele (Michael Jackson) é o único que pode receber o título de Rei do Pop, Rock e Soul. A platéia, manifestou-se a favor com Liz e, desde então, o público e a imprensa se refere a Michael Jackson como “Rei do Pop”.

Depois de um ano longe das paradas de sucesso, Michael pôde ser ouvido novamente nas rádios em novembro de 1991 com a música “Black Or White”, o primeiro compacto que seria lançado do álbum Dangerous. Jackson convidou o diretor John Landis (de “Thriller”) para gravar o videoclipe da canção. Quando foi transmitido, o curta-metragem, que tinha 10 minutos de duração, gerou controvérsia, mostrando o astro quebrando vitrines de lojas e destruindo um carro com um pé-de-cabra.

O videoclipe foi transmitido simultaneamente para 27 países (inclusive o Brasil, durante o programa Fantástico da Rede Globo) perante uma audiência estimada em 500 milhões de pessoas, um novo recorde. A reação foi imediata. O seguimento considerado violento foi retirado do curta-metragem. Michael se retratou em um comunicado dizendo que o comportamento simulava o instinto de uma pantera, animal em que se transforma durante a história. O vídeo também ficou famoso por mostrar na televisão uma das primeiras metamorfoses geradas em computador.

Duas semanas depois, Dangerous foi lançado. O álbum reunia 14 canções inéditas – 12 delas escritas e compostas por Jackson. A produção era, essencialmente, de Teddy Riley, considerado um dos criadores de um novo tipo de som chamado ‘new jack swing’. Dangerous gerou outros nove compactos, incluindo três números um: “Black Or White”, “Remember The Time” e “In The Closet”. O álbum ficou mais de dois anos entre os mais vendidos e foi adquirido por 32 milhões de pessoas no mundo, superando Bad como o segundo melhor desempenho da carreira do astro.

Em junho de 1992, Michael saiu em turnê para divulgar o álbum e quebrou recordes de público firmados anteriormente por ele mesmo durante a Bad World Tour, em 1987 e 1988. A turnê foi interrompida em 1993 depois que o astro foi acusado de abusar sexualmente de um menor. Apesar disso, a investida levou para os estádios 3.5 milhões de pessoas em 69 concertos – uma média maior do que qualquer outra turnê até então. Todos os lucros da Dangerous World Tour foram revertidos para caridade.

Para retomar a divulgação do álbum Dangerous nos Estados Unidos, interrompida desde que saiu em turnê, Michael programou dois grandes eventos televisivos em 1993. No dia 31 de janeiro, ele se apresentou no intervalo do Super Bowl XXVII diante de uma audiência de 133.4 milhões de pessoas. Dez dias depois, concedeu uma entrevista à apresentadora Oprah Winfrey que foi assistida por 100 milhões de telespectadores. Foi a primeira vez em dez anos que Jackson aceitou falar com a imprensa.

Em agosto de 1993, o jovem Jordan Chandler, de 13 anos de idade, representado pelo advogado civil Larry Feldman, acusou Michael Jackson de abuso sexual. As declarações, feitas à imprensa, nunca foram entregues à Justiça e, por conseqüência, o astro não chegou a ser indiciado pelo crime. Apesar disso, o promotor distrital Tom Sneddon deu início a investigações paralelas no final do mês pelo condado de Santa Ynez, residência oficial de Jackson.

As acusações geraram frenesi em todo o mundo. Michael cancelou o último seguimento da turnê do álbum Dangerous em outubro, pouco antes de deixar o México a caminho dos Estados Unidos. Durante uma semana daquele mês não se soube o paradeiro do astro. Ele reapareceu internado aos cuidados do terapeuta Beauchamp Colclough, na Irlanda do Norte, em uma clínica de reabilitação para dependentes químicos alegando a necessidade de se restabelecer de um vício em analgésicos.

Michael Jackson se pronunciou sobre as alegações pela primeira vez em dezembro de 1993, durante um comunicado transmitido simultaneamente pelas redes CNN, CBS, NBC e ABC, ao vivo do rancho Neverland. Ele se defendeu, afirmando ser incapaz de “causar mal a uma criança”.

Depois de seis meses de negociações, o astro fechou um acordo de confidencial com o dentista Evan Chandler, pai do adolescente que o acusava. Especula-se que a família tenha embolsado quase 15 milhões de dólares. As investigações paralelas da Justiça foram arquivadas em 1994 por falta de provas. Com o acordo, o único reclamante se recusava a colaborar.

No mesmo ano, em maio, Jackson se casou com a filha de Elvis Presley, Lisa Marie Presley. A união foi amplamente divulgada e criticada pela imprensa, que especulava sobre a conveniência do casamento, realizado meses depois do término das investigações criminais contra o astro. A primeira aparição pública do casal foi em setembro durante o MTV Video Music Awards do ano. Eles entraram no palco, seguiram por uma passarela e se beijaram. O matrimonio durou dois anos.

Em junho de 1995 chegou às lojas o álbum duplo HIStory: Past, Present and Future – Book I. No primeiro disco, uma seleção de quinze sucessos remasterizados. No segundo, a primeira coleção de músicas inéditas lançada pelo cantor desde que acusado de abuso sexual. Foram gastos 30 milhões de dólares em publicidade e propaganda para o lançamento do álbum e divulgação de cinco compactos. Foi a maior campanha de marketing já montada para promover um disco. HIStory vendeu quase 20 milhões de cópias.

O videoclipe do primeiro compacto do álbum, “Scream”, um duelo musical com a irmã Janet, estreou durante uma entrevista concedida por Michael e Lisa Marie à apresentadora Diane Sawyer no programa Primetime, da ABC, um dia antes do lançamento de HIStory. Também durante a divulgação do álbum, Jackson esteve no Brasil para gravar cenas do videoclipe da canção “They Don’t Care About Us” em uma favela do Rio de Janeiro e também na Bahia, com o grupo de percussão Olodum.

Em setembro de 1996, Michael Jackson deu início à HIStory World Tour com um show de lotação esgotada na cidade de Praga, na República Checa. Ao término dos concertos, mais de um ano depois, Jackson tinha levado 4.5 milhões de pessoas aos estádios de 56 cidades, em 35 países diferentes. Com isso, a turnê estabelecia um novo recorde mundial de público.

Em novembro de 1996, o astro se casou com a enfermeira dermatologista Deborah Rowe, com quem teve dois filhos. O primeiro, Michael Joseph Jackson Jr., nasceu naquele ano. No ano seguinte, Rowe deu à luz a Paris Katherine Jackson. A enfermeira abriu a mão de todos os direitos maternos e entregou a guarda das crianças a Jackson, gerando grande polêmica. Em 2002, Rowe afirmou, em entrevista à rede americana de televisão FOX, que os filhos foram “presentes” dados por ela ao astro.

Em 1997, oito canções inéditas de HIStory foram remixadas e lançadas na semi-coletânea Blood on the Dance Floor que vendeu 7 milhões de cópias, se tornando o album remix mais vendido da época. Entre os produtores responsáveis pelas versões estão Wyclef Jean (“2 Bad”), David Morales (“This Time Around”) e Tony Moran (“HIStory”). Um curta-metragem de 35 minutos intitulado Ghosts e estrelado por Jackson estreou nos cinemas europeus na mesma época. O filme, escrito por Stephen King (“Carrie, A Estranha”) e dirigido por Stan Winston (“O Predador”), foi concebido como uma releitura do clássico videoclipe produzido para a canção “Thiller” em 1984.

Em maio de 1997, o grupo Jackson 5 foi incluído ao Hall da Fama do Rock and Roll. Quatro anos mais tarde, em 2001, Jackson receberia a condecoração como artista solo.

‘Invincible’ e a saída da Sony Music

Em 2000, Jackson recebeu o título de “Cantor do Milênio” durante o XI World Music Awards, realizado Mônaco. A cerimônia foi transmitida para mais de 160 países perante uma audiência de quase um bilhão de pessoas. Mariah Carey recebeu prêmio similar, na categoria feminina. Na ocasião foram exaltadas vendas de mais de 200 milhões de álbuns durante a carreira de 29 anos.

Em setembro de 2001, Michael Jackson promoveu dois concertos com lotação esgotada no Madison Square Garden, em Nova York, para celebrar 30 anos de carreira solo. Foi a primeira vez, em 20 anos, que o grupo The Jacksons voltou a se reunir no palco. Cantaram grandes sucessos, como “I’ll Be There”, “Can You Feel It” e “I Want You Back”. Celebridades como Whitney Houston, Britney Spears, Liza Minelli, *NSYNC, Usher e Gloria Stefan prestaram homenagens a Jackson cantando alguns dos maiores sucessos da carreira dele. Na platéia, mais personalidades. Assistiram às apresentações Elizabeth Taylor, Macaulay Culkin, Marlon Brando, Ray Charles, Chris Tucker, Nelly Furtado, Will Smith e Quincy Jones.

Para comemorar a data, foram prensadas edições especiais dos álbuns Off The Wall, Thriller, Bad e Dangerous – todos remasterizados, com novos encartes, incluindo canções raras e inéditas, e também entrevistas com o produtor Quincy Jones e o compositor Rod Temperton.

No mês seguinte, outubro, Jackson lançou Invincible, a primeira coleção de novas canções lançada pelo astro em dez anos, desde Dangerous, em novembro de 1991. Produzido essencialmente por Rodney Jerkins (“If You Had My Love”, Jennifer Lopez) e Teddy Riley (“In The Closet”), inclui como convidado o guitarrista Carlos Santana e contém ainda um rap póstumo de Notorious B.I.G.

Durante a rápida divulgação do álbum ficaram explícitas as divergências entre Michael e o então-chefe da Sony Music, Tommy Mottola. Os problemas começaram em 2000, quando Jackson tentou retirar a licença das gravações originais do catálogo dele da gravadora para lançamento independente. Assim Michael não precisaria dividir os lucros com a Sony. Entretanto, os advogados de Jackson encontraram cláusulas no contrato dele com a gravadora que impediam a transação.

Para evitar uma disputa judicial, Michael e a Sony fecharam um acordo que permitiria que ele abandonasse a gravadora depois do lançamento de Invincible, mas não antes de um pacote de coletâneas que reuniriam os maiores sucessos dele. A crise se acentuou quando a canção “You Rock My World” vazou para as rádios ilegalmente e teve que ser lançada como primeiro compacto do álbum. Michael queria “Unbreakable” e se negou a colaborar com a divulgação de Invincible.

A imprensa chegou a especular que as vendas de Invincible, consideradas fracas por muitos especialistas, teriam acentuado as divergências entre o astro e a gravadora.

Uma semana após os atentados terroristas de 11 de setembro nos Estados Unidos, Michael Jackson anunciou a gravação de uma música beneficente para arrecadar fundos a familiares das vítimas. Mais de 35 cantores contribuíram, como Celine Dion, Ricky Martin, Luther Vandross, Justin Timberlake, Carlos Santana, Beyoncé e Mariah Carey. O compacto nunca foi lançado devido aos desentendimentos do astro com a Sony Music. Além disso, especula-se que o envolvimento de um dos produtores do projeto com a indústria do cinema pornográfico americano teria afastado patrocinadores.

Uma série de coletâneas reunido os maiores sucessos do astro foram lançadas nos anos que se seguiram. Junto a Invincible chegou às lojas Greatest Hits: History – Vol I. Em 2003, Number Ones. Um ano depois, a Epic lançou The Ultimate Collection, uma caixa com quatro CDs e um DVD. Em março de 2006, a Sony Music lançou nova coletânea, o álbum duplo The Essential Michael Jackson.

Premiações

Em 2006, Jackson saiu do período de reclusão que estava passando em Bahrain desde que fora inocentado em 2005, e compareceu a diversas premiações e homenagens. A primeira delas foi a homenagem realizanda em maio de 2006 na MTV japonesa, durante a premiação da Video Music Awards Japan ’06. Nessa premiação, Jackson recebeu a Legend Award – raramente concebida a alguém -, devido a ele ser o artista que mais vendeu no Japão, uma lenda viva da música. A imprensa em geral fez um enorme destaque pra esse evento, devido ao fato de que foi a primeira aparição pública que Jackson fez desde sua absolvição saindo de sua reclusão no Bahrain.

Também no ano de 2006, em Novembro, Michael compareceu ao World Music Awards ’06. Recebeu o Diamond Award, dado a artistas que venderam mais de 100 milhões de discos. Durante a premiação, Jackson também recebeu o 9º certificado do Guinnes da semana, dado em razão das 104 milhões de cópias vendidas do álbum Thriller. Para comemorar os 25 anos desde o lançamento do álbum Thriller, Chris Brown homenageou dançando e cantando ao vivo a canção Thriller. No final da premiação, com o tempo esgotado, houve uma pequena performance de We Are The World, o microfone de Jackson chegou a ser cortado por causa do limite de tempo que, se fosse ultrapassado, o evento seria multado. A imprensa em geral criticou o evento e Michael Jackson, alegando que Michael havia decepcionado os fãs por não ter performado Thriller, ironizando o microfone cortado, e até inventando “fatos”, como as falsas vaias do público.

Em estúdio

Em Maio de 2006, Michael se mudou do Bahrain para a cidade de Dublin, na Irlanda, onde continuou a gravar o que será o décimo álbum solo da carreira – o primeiro desde Invincible, lançado há cinco anos. A previsão é que o álbum chegue às lojas até o verão de 2007 e seja distribuído pela gravadora independente 2 Seas Records, propriedade do sheik do Bahrain Abdulla bin Hamad Al Khalifa. Mas a distribuição por conta da 2 Seas Records já foi descartada. O selo de gravação agora é a Michael Jackson Company Inc., criada a pouco tempo.

Em Outubro do mesmo ano, o programa de televisão Access Hollywood teve acesso ao estúdio enquanto Michael trabalhava com o produtor e rapper Will.i.am, membro-líder do grupo Black Eyed Peas. O estúdio que Michael trabalhava em Dublin era a Grouse Lodge Residential Studios.

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