Carreira meteórica de um gênio

Publicado: 08/10/2007 em Bebop, Charlie Parker, Folha de São Paulo, Jazz

HELTON RIBEIRO
Colaboração para Folha Online

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Apesar de ter vivido apenas 34 turbulentos anos, ‘Bird‘ inscreveu seu nome entre os maiores do jazz. Dono de uma técnica excepcional ao sax alto, foi um dos improvisadores mais brilhantes do gênero. E, junto a Dizzy Gillespie, catalisou o surgimento do bebop, um dos principais estilos do jazz.

Charles Christopher Parker Jr. nasceu em 29 de agosto de 1920 em Kansas City. Deixou a escola aos 15 anos e logo aderiu às drogas, que consumiriam sua vida. Aos 17, já estava na orquestra de Jay McShann.

Depois de tocar com Earl Hines e Billy Eckstine, juntou-se a outros jovens músicos em jam sessions lideradas por ele e Dizzy Gillespie em pequenos bares de Nova York. Desses encontros surgiu o bebop, cujas primeiras gravações, em 45, tornaram-se clássicas: “Hot House”, “Groovin’ High”, “Shaw ’Nuff” etc. Nos anos seguintes, novas obras-primas, muitas delas de sua autoria: “Now’s the Time”, “Ko-ko”, “Billie’s Bounce”, “Ornithology” e outras.

Mergulhado no álcool e nas drogas, Bird morreu em 12 de março de 55, em Nova York, de pneumonia e congestão. Seu estado era tão deplorável que o médico responsável pela autópsia supôs que tivesse entre 50 e 60 anos.

  • Final apoteóticoNo início da carreira, ele não se intimidava com sua técnica ainda deficiente e participava de jam sessions com músicos já consagrados. Segundo uma história muito difundida (embora não comprovada), o baterista de Count Basie, Jo Jones, impaciente com a performance de Parker em um desses encontros informais, teria interrompido seu solo atirando um prato da bateria no chão. Humilhado, o jovem saxofonista teria sumido por uns tempos para praticar, reaparecendo com a técnica invejável que ficou famosa.
  • Quem é o autor?A maior contribuição de Parker à revolução do bebop foi a forma inédita como ele tocava. Em vez de solar com base na melodia das músicas, como se fazia nas big bands de swing, ele improvisava livremente sobre os acordes. Assim, acabava se distanciando da melodia original e transformando velhos standards em novas composições, suas. “How High the Moon”, por exemplo, deu origem a “Ornithology”; “Cherokee”, a “Ko-Ko”, e “Honeysuckle Rose”, a “Marmaduke”.
  • Quem é o cara do sax?Uma apresentação no Massey Hall, em Toronto, Canadá, em 53, foi considerada pela crítica como o melhor show de jazz da história. E não era para menos: a banda, nomeada sem falsa modéstia “O” Quinteto, era formada por Parker, Dizzy Gillespie, Bud Powell, Charles Mingus e Max Roach. Mingus gravou o show e resolveu lançá-lo pelo selo que ele tinha criado com Roach. Parker não podia aparecer nos créditos por questões contratuais com sua gravadora — por isso o saxofonista foi comicamente listado como Charlie Chan, e na capa seu rosto foi cortado. “The Quintet — Jazz at Massey Hall” tornou-se obrigatório na coleção dos jazzófilos.
  • Sessão da meia-noiteParker foi retratado em dois filmes cult. Clint Eastwood dirigiu a cinebiografia “Bird”. Bertrand Tavernier, em “Por Volta da Meia-Noite (Round Midnight)”, criou um fictício Dale Turner, visivelmente inspirado nele. Outro famoso saxofonista, Dexter Gordon, que nunca tinha trabalhado como ator, foi indicado ao Oscar pelo papel de Turner/Parker.

Sites relacionados

 

  • www.cmgworldwide.com – o site oficial, mantido pelo espólio de Parker, tem samples de oito de seus clássicos, biografia, galeria de fotos, citações, elogios feitos por artistas como Miles Davis e John Coltrane
  • www.chasinthebird.com – o site japonês tem trechos de quase 70 músicas para ouvir, além de artigos sobre ele e resenhas de seus discos.
  • www.midomi.com – o site americano tem mais de cem samples para ouvir e também biografia, discografia e algumas fotos.

A matéria acima foi publicada na Folha. Acesse aqui, leia o original e compre a coleção, é imperdível.

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