A cantora mais popular do jazz

Publicado: 11/10/2007 em Ella Fitzgerald, Folha de São Paulo, Jazz

HELTON RIBEIRO
Colaboração para Folha Online

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Ella Fitzgerald foi a mais popular e uma das melhores cantoras do jazz, ao lado de Billie Holiday e Sarah Vaughan. Apesar disso, não se considerava uma jazzista, pois a música popular tinha lugar cativo no seu repertório.

Com voz privilegiada, dicção clara, grande alcance vocal e espantosa habilidade para o scat singing (canto sem palavras), ela improvisava sobre temas dos Beatles, de Stevie Wonder e dos musicais da Broadway. Por isso, era chamada de “A primeira dama da canção”.

Ella Jane Fitzgerald nasceu em Newport News, Virgínia, em 25 de abril de 1917. Seus pais se separaram, e ela foi para Nova York com a mãe, que morreu quando a menina tinha 15 anos, sendo adotada por uma tia.

Com apenas 17 anos, já cantava à frente da orquestra de Chick Webb, com a qual gravou uma versão imortal de “A-Tisket, A-Tasket”. Aos 22, assumiu a direção da orquestra quando o líder morreu.

Começou a gravar como artista solo em 42. Aproximou-se do nascente bebop, gravando jóias como “How High the Moon” e “Lady Be Good”. Em 56, seu sucesso impulsionou o recém-fundado selo Verve, que se tornaria um dos mais importantes do jazz. Essa foi uma de suas melhores fases, com a série de dez songbooks dedicados aos grandes compositores da música popular americana: Cole Porter, Rodgers & Hart, os irmãos Gershwin, Duke Ellington etc.

Desde essa época, ela gravou com Ellington, Louis Armstrong, Count Basie e outros nomes de primeira grandeza. A série de LPs com Armstrong também figura entre seus melhores trabalhos. Nos anos 70, sua voz começou a declinar devido ao diabetes. Em 86, ele teve que operar as coronárias e, em 93, suas pernas foram amputadas por causa da doença. Em 15 de junho de 96, a diva morreu em casa, em Beverly Hills, Califórnia.

Contexto histórico

Mesmo artistas famosos não estavam livres da discriminação racial nos turbulentos anos 50. Ella conta um caso emblemático em sua autobiografia.

Seu empresário, Norman Granz, que criaria a gravadora Verve, era intransigente na defesa de tratamento justo para os contratados, independente de cor. No sul, onde o preconceito era maior, isso lhe trazia muitos problemas.

Ele dirigia o famoso projeto Jazz at the Philharmonic, um festival itinerante onde grandes nomes do jazz iam se revezando. Num desses eventos, em Dallas (Texas), a polícia resolveu “dar uma lição” naqueles negros abusados. Invadiu o camarim de Ella em busca de algum flagrante que comprometesse os músicos.

E deu sorte: naquele momento, Dizzy Gillespie e o saxofonista Illinois Jacquet jogavam dados no camarim de Ella. Todos foram detidos. “Eles nos levaram [à delegacia] e, quando chegamos lá, tiveram a cara-de-pau de pedir autógrafos”, relatou a cantora.

Curiosidades

 

  • A amizade com Marilyn Monroe Em sua autobiografia, Ella revelou que a amiga e fã Marilyn Monroe deu um empurrãozinho em sua carreira. A pin-up prometeu ao dono do Mocambo, uma importante casa de shows nos anos 50, que, se ele contratasse a cantora para uma temporada, Marilyn iria aos shows todas as noites, atraindo atenção da imprensa para a casa. Acordo feito, não só a casa como também Ella freqüentaram por vários dias o noticiário. “Depois disso, nunca mais precisei cantar em pequenos bares”, contou.
  • Casamento musical A cantora foi casada entre 48 e 52 com Ray Brown, um dos maiores contrabaixistas da história. Durante esse período, o trio de Brown passou a acompanhá-la. Mesmo após a separação, eles gravaram vários discos juntos.
  • Números Ella gravou mais de 200 discos, que venderam 40 milhões de cópias. Ganhou 13 Grammys e se apresentou 26 vezes no Carnegie Hall, a mais famosa casa de shows dos Estados Unidos.
  • Imitações Sua habilidade vocal lhe permitia imitar o que quisesse, principalmente instrumentos e outros artistas: em “Mack the Knife”, ela encarna Louis Armstrong; em “Lady Be Good”, simula um violoncelo, e, numa gravação ao vivo de “One Note Samba (Samba de Uma Nota Só)”, “toca” cuíca.

Contexto histórico

Mesmo artistas famosos não estavam livres da discriminação racial nos turbulentos anos 50. Ella conta um caso emblemático em sua autobiografia.

Seu empresário, Norman Granz, que criaria a gravadora Verve, era intransigente na defesa de tratamento justo para os contratados, independente de cor. No sul, onde o preconceito era maior, isso lhe trazia muitos problemas.

Ele dirigia o famoso projeto Jazz at the Philharmonic, um festival itinerante onde grandes nomes do jazz iam se revezando. Num desses eventos, em Dallas (Texas), a polícia resolveu “dar uma lição” naqueles negros abusados. Invadiu o camarim de Ella em busca de algum flagrante que comprometesse os músicos.

E deu sorte: naquele momento, Dizzy Gillespie e o saxofonista Illinois Jacquet jogavam dados no camarim de Ella. Todos foram detidos. “Eles nos levaram [à delegacia] e, quando chegamos lá, tiveram a cara-de-pau de pedir autógrafos”, relatou a cantora.

Sites relacionados

 

  • www.ellafitzgerald.com – o site oficial tem uma seção de notícias bastante atualizada, além de biografia, discografia, filmografia, citações e fotos.
  • www.ellafitzgeraldfoundation.org – o site da Fundação Ella Fitzgerald, criada pela cantora para ajudar pessoas carentes, tem curiosidades sobre a artista (como o hábito de colecionar livros de culinária) e uma seção onde os internautas relatam histórias pessoais envolvendo a estrela. Uma ex-camareira de hotel conta que, em 1974, foi limpar um quarto e deu de cara com Ella, que a convidou para sentar e assistir à televisão.
  • www.redsugar.com – o site tem uma das mais extensas biografias da diva disponíveis na internet.

A matéria acima foi publicada na Folha. Acesse aqui, leia o original e compre a coleção, é imperdível.

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