O prodígio da guitarra

Publicado: 11/10/2007 em Al Di Meola, Folha de São Paulo, Guitarristas, Jazz

HELTON RIBEIRO
Colaboração para Folha Online

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O guitarrista ganhou fama da noite para o dia ao ingressar no Return to Forever com apenas 19 anos. O trio com John McLaughlin e Paco de Lucia também tornou-se lendário. Ele foi um dos mais velozes guitarristas do jazz fusion, mas depois passou a se dedicar também à world music, alternando a guitarra com o violão, que toca com a mesma destreza.

Filho de italianos, Meola nasceu em Jersey City, Nova Jersey, em 22 de julho de 1954. Desde criança, já freqüentava clubes de salsa, até descobrir o jazz com Chick Corea e Larry Coryell.

Em 74, o próprio Corea o convidou a entrar para o Return to Forever. Os solos velozes e enérgicos de Meola atraíram o público roqueiro, proporcionando ao grupo suas melhores vendagens, em discos como “Where Have I Known You Before” e “Romantic Warrior”.

Dois anos depois, ele iniciou carreira solo com “Land of the Midnight Sun”. Este e os subsequentes “Elegant Gypsy”, “Casino” e “Splendido Hotel” já traziam elementos de world music. Em 80, Meola gravou com John McLaughlin e Paco de Lucia “Friday Night in San Francisco”, que vendeu mais de dois milhões de cópias.

A partir dos anos 90, ele gravou com mais freqüência world music acústica, como “World Sinfonia” e “Di Meola Plays Piazzolla”. Em 96, formou o trio The Rite of Strings, com o violinista Jean-Luc Ponty e o baixista Stanley Clarke (outro ex-Return to Forever). Seu novo CD, “Diabolic Inventions and Seduction for Solo Guitar, Volume I”, tem lançamento previsto para o fim de outubro de 2007.

Contexto histórico

No final dos anos 60, o jazz era um gênero comercialmente inviável. Desde o surgimento do bebop, na década de 40, ele vinha perdendo popularidade e se convertendo em música de intelectuais, quase um segredo compartido entre poucos. Ao contrário dos anos 30, quando o swing jazz era a música popular da América, o rock passou a dominar as paradas.

Transformando o adversário em aliado, o jazz-rock fusion trouxe uma nova onda de sucesso ao gênero. Iniciado por Miles Davis, o movimento atingiu o auge comercial nos anos 70, com bandas como Weather Report, Mahavishnu Orchestra e Return to Forever, que vendiam milhões de discos.

E foi Al Di Meola, com sua guitarra faiscante, um dos principais propulsores desse sucesso. Finalmente os fãs de rock viam um jazzista tocando com a intensidade e a velocidade de um Jimi Hendrix. Com ele, o Return to Forever atingiu suas maiores vendagens de discos, disputando com bandas de rock na parada pop americana.

Curiosidades

 

  • O mais premiado Quem é o maior guitarrista do mundo? Para a revista “Guitar Player”, certamente é Al Di Meola. Ele é o músico que coleciona mais prêmios concedidos pela “bíblia” das seis cordas.
  • Meola & MoreiraO percussionista brasileiro Airto Moreira fez parte da banda Al Di Meola Project, em meados dos anos 80. No CD “Cielo e Terra”, cinco das dez faixas são em dueto entre os dois. Em “Soaring through a Dream”, do mesmo ano, Airto compôs metade das músicas em parceria com o líder, entre elas a faixa-título e “Capoeira”.
  • Mais BrasilO guitarrista fez turnê pelo Brasil em 2001. Ele homenageia o país na faixa-título de “Cosmopolitan Life”, de 2006, cuja letra tem trechos em português falando do samba. Mas o ritmo da música é cubano.
  • Pop jazzO CD “Winter Nights”, de 99, tem músicas de Peter Gabriel (“Mercy Street”) e Paul Simon (“Scarborough Fair”), em versões acústicas. Além de violões, o disco apresenta um instrumento de 48 cordas chamado bandura (executado pelo ucraniano Roman Hrynkiv).

Sites relacionados

 

  • www.aldimeola.com – o site oficial tem trechos para ouvir de todas as músicas de seus dois últimos CDs, e comentários do próprio músico sobre eles. E também, claro, biografia, discografia completa, galeria de fotos, agenda de shows, fórum dos fãs e chat.
  • www.scaruffi.com – o site italiano tem uma extensa biografia, que inclui comentários críticos sobre cada um de seus discos.
  • www.moo.pt/musica – o site português tem toda a discografia, com a vantagem de reproduzir as capas dos álbuns. Tem também áudio de várias músicas e trechos de vídeos.

A matéria acima foi publicada na Folha. Acesse aqui, leia o original e compre a coleção, é imperdível.
Acesse o Podcast do My Band’s clicando na imagem abaixo

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