O romântico do fusion

Publicado: 11/10/2007 em Chick Corea, Folha de São Paulo, Jazz

HELTON RIBEIRO
Colaboração para Folha Online

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Corea ainda é mais lembrado pelo jazz fusion ao lado de Miles Davis e à frente de seu Return to Forever. Mas o estilo romântico e influenciado pela música clássica e étnica faz dele também um dos mais completos pianistas contemporâneos.

Filho de italianos, Armando Anthony Corea nasceu em 12 de junho de 1941 em Chelsea, Massachusetts. Depois de acompanhar Dizzy Gillespie e Sarah Vaughan, entrou para a banda de Miles Davis em 68. Participou com ele da revolução do jazz fusion, gravando discos como “In a Silent Way” e “Bitches Brew”.

Após deixar Miles, ele formou em 71 um dos mais populares grupos do fusion, o Return To Forever, pelo qual passaram, entre outros, Stanley Clarke, Al Di Meola e os brasileiros Airto Moreira e Flora Purim. “Romantic Warrior” e “Where Have I Known You Before” foram alguns LPs que fizeram grande sucesso.

Em 78, ele e Herbie Hancock formaram um duo de pianos muito aclamado. O retorno à música acústica culminou em outro duo, com o pianista clássico Friedrich Gulda, em “The Meeting”, de 82. Em 85, Corea voltou ao fusion com a Elektric Band, da qual derivou mais tarde a Akoustic Band, com John Pattitucci e Dave Weckl.

Esse ecletismo tem pautado seus últimos trabalhos. De 2000 até agora ele já lançou CDs de música clássica (“Corea Concerto”), étnica (“The Ultimate Adventure”), jazz acústico (com o New Trio) e tudo isso junto em seu novo CD, “The Enchantment”, com o banjoísta Béla Fleck.

 

 

 

Contexto histórico

Nos anos 50, o rock n’roll transformou o jazz em “coisa de velho”. Vinte anos depois, músicos inquietos, tendo Miles Davis à frente, levaram os roqueiros para o jazz. Gostar de jazz passou a ser bacana, sinal de refinamento, numa época em que o próprio rock almejava ser levado a sério, encarado como forma de arte, não mero produto da indústria cultural.

Corea estava na linha de frente dessa nova geração que eletrificou o jazz. Além dos discos gravados com Miles, e que definiram o estilo, seu Return to Forever emplacou seis LPs na parada pop dos Estados Unidos.

O fusion gerou uma ruptura também do outro lado, o do rock, influenciando o surgimento do progressivo. Artistas e bandas como Frank Zappa, King Crimson, Emerson, Lake & Palmer e Yes tinham uma forte orientação jazzística. Ao longo dos anos 70, outros músicos como Jeff Beck e Carlos Santana também aderiram ao fusion.

 

 

Curiosidades

 

  • Encanto brasileiroSeu novo CD, “The Enchantment”, em dueto com o banjoísta Béla Fleck (que esteve no Brasil em março), é um caleidoscópio musical. Tem “Brazil” (com citação de “Aquarela do Brasil”), tango (“Senorita”), bluegrass (“Mountain”), música infantil (“Children’s Song Nº 6), valsa (“Waltse for Abby”), e uma música que parece choro (“Spectacle”).
  • Em famíliaDepois do casal Airto Moreira e Flora Purim, outra formação do Return to Forever tinha a cantora Gayle Moran (ex-Mahavishnu Orchestra), que se tornaria a senhora Corea.
  • Chaka Khan & Chick CoreaCorea tocando disco music? Não exatamente. Quando a estrela do gênero Chaka Khan resolveu gravar um LP de jazz, em 82, montou para acompanhá-la um grupo “all stars” com ele, Freddie Hubbard, Joe Henderson, Stanley Clarke e outros.
  • Infantil, mas nem tantoEm 83, ele gravou um disco teoricamente para crianças, “Children’s Songs”. Na verdade, são belos solos de piano (com exceção de uma faixa, com violino e violoncelo) que podem fazer a alegria de qualquer adulto. As músicas são intituladas simplesmente “Nº 1”, “Nº 2” e assim por diante.

Sites relacionados

 

  • www.chickcorea.com – o site oficial tem vídeos e disponibiliza para download uma gravação inédita do pianista com o vibrafonista Gary Burton. E, claro, tem biografia, discografia, galeria de fotos e agenda de shows, além de links para sites de artistas que tocam com ele.
  • www.allmusic.com – um dos mais completos sites de biografias de músicos, tem também samples de 37 músicas para ouvir e resenhas de cinco CDs.
  • www.progarchives.com – para quem quer conhecer mais sobre o Return to Forever, o site de rock progressivo tem um bom histórico do grupo e sua discografia.

A matéria acima foi publicada na Folha. Acesse aqui, leia o original e compre a coleção, é imperdível.

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