Um trompetista brilhante

Publicado: 11/10/2007 em Folha de São Paulo, Jazz, Lee Morgan, Trompetistas

HELTON RIBEIRO
Colaboração para Folha Online

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No jazz há muitos artistas subestimados, e Lee Morgan é um deles. Um dos melhores trompetistas das décadas de 50 e 60 morreu muito jovem, aos 33 anos, o que o impediu de ganhar maior fama ao longo do tempo. Além da carreira solo, ele gravou com os maiores da época, como Dizzy Gillespie, John Coltrane, Art Blakey, Quincy Jones e Wayne Shorter. Entre os que ele influenciou estão Freddie Hubbard e Wynton Marsalis.

Edward Lee Morgan nasceu em 10 de julho de 1938, em Filadélfia, Pensilvânia. Aos 15 anos, já liderava o próprio grupo. De 56 a 58, tocou na big band de Dizzy Gillespie e, quando o líder a desfez, ele foi para os Jazz Messengers de Art Blakey, onde ficou até 61. Em 57, participou do disco “Blue Train”, de John Coltrane.

Problemas com heroína o levaram a um afastamento temporário até 63, quando ele voltou à cena em Nova York, gravando seu maior sucesso, o LP “The Sidewinder”, que chegou à parada pop. Retornou aos Messengers em 64, saindo definitivamente no ano seguinte, para iniciar carreira solo. Outros discos de sucesso foram “Search for the New Land”, de 64, e “Caramba!”, de 68. Morgan teve uma morte trágica. Em 19 de fevereiro de 72, aos 33 anos de idade, levou um tiro da própria mulher, Helen More, durante uma discussão dentro de um clube em Nova York.

Contexto histórico

Nos anos 60, o jazz havia praticamente desaparecido das rádios e tevês nos Estados Unidos, substituído pelo rock e a soul music. Nessa época, também, o movimento pelos direitos civis havia feito grandes progressos, mas a mídia parecia desconhecê-los: na televisão, por exemplo, era rara a presença de artistas e apresentadores negros.

Descontentes com essa situação, Lee Morgan e o saxofonista Roland Kirk, no começo dos anos 70, lideraram o Jazz and People’s Movement, que organizou protestos de impacto contra as redes nacionais de rádio e tevê.

A tática do movimento era simples. Vários músicos entravam incógnitos em programas de auditório gravados ao vivo, e de grande audiência, como os de Johnny Carson e Ed Sullivan. Em determinado momento, eles sacavam apitos e pequenos instrumentos de percussão que levavam escondidos na roupa e aprontavam um tremendo barulho, interrompendo os programas. Max Roach foi outro jazzista famoso que participou dos protestos.

Curiosidades

 

  • Alta produtividadeEm apenas 16 de carreira, ele gravou 25 discos em seu nome e dezenas de outros como “sideman” (acompanhante). Só com os Jazz Messengers de Art Blakey foram trinta, incluindo o maior clássico do grupo, “Moanin'”.
  • Na tevêA faixa-título do LP “The Sidewinder” fez tamanho sucesso que foi utilizada em um comercial de televisão da Chrysler em 65. O disco figurou entre os 25 mais vendidos na parada pop, numa época em que só Louis Armstrong conseguia competir com os Beatles e os Rolling Stones. Graças a suas expressivas vendas, a gravadora Blue Note, uma das mais importantes da história do jazz, escapou de ir à falência.
  • Morte no palcoHá várias versões para o motivo e as circunstâncias de sua morte. Uma delas é de que ele teria sido alvejado pela mulher em pleno palco do club Slug. Mais provável, no entanto, é que tenha sido do lado de fora do bar. A briga teria começado por ciúmes ou por causa de drogas.
  • VaidosoVárias composições do trompetista tinham seu nome no título. Algumas delas: “Morgan the Pirate”, “Most Like Lee”, “Ca-lee-so”, “Melancholee” e “Cunning Lee”.

Sites relacionados

 

  • www.shout.net/~jmh/ – o site mantido por um fã de hard bop tem uma boa biografia; detalhada discografia, incluindo os discos que gravou com outros artistas, e, para quem é músico, transcrições de solos
  • http://members.tripod.com/~hardbop – o site, também de um fã, tem textos sobre alguns de seus discos, como “The Cooker”, de 57, e “The Sidewinder”, de 63, além de biografia.
  • www.moo.pt/musica – o site português tem áudio de várias músicas e trechos de vídeos, além de toda a discografia, com a reprodução das capas dos álbuns.

A matéria acima foi publicada na Folha. Acesse aqui, leia o original e compre a coleção, é imperdível.

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