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Billie Holiday forever

Publicado: 26/05/2010 em Billie Holiday, Jazz

Billie Holiday

Billie HolidayExistiram – e ainda existem – grandes divas do Jazz. Mas para mim a maior de todas foi e continua sendo a Billie Holiday. Simplesmente inesquecível!

Billie Holliday foi a melhor cantora de jazz de sua geração e, na opinião de seus admiradores e de muitos críticos, a melhor de todos os tempos. Eleanora Holiday nasceu no gueto negro de Baltimore. Sua certidão de nascimento nunca foi encontrada, portanto a data aceita de seu nascimento era a que ela costumada dizer: 7 de abril de 1915. Sua mãe, Sadie Fagan, a chamava Nora. Era o pai, o guitarrista Clarence Holiday, quem lhe chamava de “Bill”, por achar que ela se comportava como um garoto. Seus pais eram meros adolescentes quando ela nasceu: Clarence tinha 15 anos e Sadie, 13.

Billie sofreu tudo o que se poderia esperar na vida de uma menina americana negra e pobre. Viveu com a mãe separada do pai, foi violentada por um vizinho aos dez anos e castigada por isso, sendo internada em uma instituição com “métodos correcionais” pré-medievais. Aos doze, trabalha lavando assoalhos e prestando serviços a dona de um prostíbulo, onde ouve pela primeira vez discos de Louis Armstrong e Bessie Smith. Aos 14, já em New York, indignada com a posição de criada de sua mãe e com o racismo, cai na prostituição e enfrenta quatro meses de cadeia “por não querer satisfazer um chefe da máfia negra do Harlem”.

Em 1930, ameaçadas de despejo por deverem 45 dólares ao senhorio, Billie sai à rua “disposta a roubar ou matar se preciso”. Aí começa a lenda de Billie. Percorrendo os bares do Harlem em busca de algum dinheiro, entra no Pod’s and Jerry’s oferecendo-se como dançarina. Um desastre. O pianista, com pena, pergunta se ela sabe cantar e Billie pede que que ele toque Trav’lin All Alone. Em poucos instantes todos estão com os olhos grudados nela, que sai do bar com cinquenta e sete dólares e um emprego com salário fixo. Três anos depois, tendo cantado em vários lugares, é assistida pelo produtor John Hammond. Em 27 de novembro de 1933 entra em estúdio pelas mãos de Benny Goodman.

Em 1935 já aparece cantando com a orquestra de Duke Ellington no filme Symphony in Black e inicia uma frutífera parceria com o pianista Teddy Wilson, gravando com ele mais de oitenta músicas em seis anos. No entanto, suas experiências com as Big Bands, entre 1936 e 1938 são amargas. Com Count Basie passa por vexames como pintar o rosto com graxa de sapato porque um empresário achou que sua pele era muito clara. Com a orquestra branca de Artie Shaw, é muito bem tratada pelos músicos mas sente o racismo nas turnês pelo Sul. Cansada de tais humilhações, volta para New York e, mais uma vez pelas mãos de Hammond, consegue um bom contrato no Café Society, de Barney Josephson. É lá que sua fama começa a se firmar.

Em 25 de janeiro de 1937, Billie e o saxofonista Lester Young entram juntos pela primeira vez em um estúdio. Alguém escreveria que naquele dia “surgiu uma nova forma de poesia amorosa entre a voz humana e o instrumento musical”. Em quatro anos gravaram cerca de 50 canções, verdadeiras jóias, repletas de swing, bom gosto, criatividade e cumplicidade que se estendia ao trompetista Buck Clayton. Lester a chamava de Lady Day e ela o apelidou de Prez (de “presidente dos sax-tenores”).

A autobiografia (1956), escrita em colaboração com o jornalista William Dufty, foi chamada Lady sing the Blues. O título refere-se mais a sua infância infeliz e seu envolvimento com a heroína do que propriamente a sua música. Sua carreira foi entremeada de entradas em hospitais e prisões à medida que o vício lhe trazia mais problemas. O filme Ocaso de uma estrela, estrelado por Diana Ross, serviu somente para chamar a atenção do público sobre Billie. Diana não está bem no papel e a crítica não a poupou.

Billie Holiday só ganhou a devida fama e respeito após sua morte, que aconteceu em 17 de julho de 1959. Para conhecer sua vida não é preciso ler nenhuma biografia, mas apenas ouvir sua voz interpretando as centenas de preciosidades que deixou gravada.

Agora que já sabemos um pouco sobre ela, vamos assistir a dois vídeos raríssimos.

Billie Holiday – Fine and Mellow (1957)

Count Basie, Billie Holiday – God Bless The Child

Billie Holiday “One for my Baby (and one more for the road)”

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HELTON RIBEIRO
Colaboração para Folha Online

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Não houve outra cantora como Billie. A amargura que impregnava suas interpretações não era pose nem estilo, mas o reflexo de uma existência realmente sofrida. E mais: ela tinha um timbre de voz inconfundível, um “timing” particular e grande apuro técnico, fazendo uso da voz como se fosse um instrumento. Por fim, deixou também um importante legado como compositora, com obras (geralmente em parcerias) que se tornaram standards, como “Fine and Mellow”, “The Man I Love”, “Don’t Explain” e “Lady Sings the Blues”.

Não é exagero dizer que a vida de Eleanora Fagan (seu nome verdadeiro) foi um inferno: estuprada na infância, explorada por maridos e empresários gananciosos, condenada por posse de drogas. Lady Day, como era chamada pelos amigos, só encontrava alívio na música.

Nascida em 7 de abril de 1915 em Baltimore (Maryland), começou a cantar em Nova York, em 29. Quatro anos depois fez sua primeira gravação, com Benny Goodman. De 35 a 42 Billie registrou seus maiores sucessos, acompanhada de dezenas de artistas de primeira linha, sendo os mais freqüentes o pianista Teddy Wilson e o saxofonista Lester Young.

No final dos anos 30 e ao longo da década seguinte, cantou em orquestras como as de Count Basie e Duke Ellington, ao mesmo tempo que começavam seus problemas com as drogas e, conseqüentemente, a polícia e a imprensa sensacionalista. Com a saúde e a voz debilitadas, ela continuou ativa nos anos 50, mas já sem o mesmo brilho. Em 17 de julho de 59, morreu de problemas cardíacos e do fígado, em Nova York.

Contexto histórico

A escravidão foi abolida no sul dos Estados Unidos em 1865. De início, isso não trouxe dias melhores para os negros, pelo contrário. Descontentes, muitos brancos criaram organizações criminosas como a Klu-Klux-Klan, iniciando um extermínio em massa. Enforcamentos eram quase diários em uma vasta região onde a população negra, na prática, não tinha proteção da lei.

“As árvores do sul sustentam estranhos frutos/ Sangue nas folhas e sangue nas raízes/ Corpos negros balançando na brisa”, dizia a música “Strange Fruit”, de Lewis Allen. Imortalizada na voz dolorida de Billie Holiday, a canção tornou-se um símbolo dessa era macabra e incentivou a luta pelos direitos civis.

Alguns afirmam que Billie não tinha intenção de adotar uma postura política, teria apenas se encantado com a melodia. Difícil acreditar nisso, afinal Lady Day foi marcada desde a infância pelo sofrimento e a discriminação.

Curiosidades

  • Filha precoceEm sua autobiografia, “Lady Sings the Blues”, Billie conta que os pais eram muito jovens quando se casaram: “Ele tinha 18 anos, ela, 16 e eu, 3”.
  • Lá, como aquiBillie atuou em apenas um filme, “New Orleans”, de 1946, e se arrependeu do papel. Quando foi contratada, pensou que apareceria na tela cantando. Ledo engano: “Mostrem-me uma garota negra no cinema que não faça papel de empregada ou de puta”, diria mais tarde. O dela foi de criada.
  • Dose letalEm um julgamento por porte de drogas, o juiz perguntou a um policial se a dose de heroína que ela costumava tomar era excessiva. A resposta foi que daria para matar qualquer um dos presentes no tribunal.
  • Muitos frutosBob Dylan contou há poucos anos que a música “Strange Fruit”, imortalizada por Billie, influenciou seu estilo musical. A canção foi regravada por vários astros pop, como Sting, e chegou às pistas de dança em um remix de Tricky.

Sites relacionados

  • www.cmgworldwide.com – o site oficial, mantido pelo espólio da cantora, tem biografia, citações, galeria de fotos, a relação por ordem alfabética de todas suas músicas e a cronologia dos fatos mais importantes de sua vida. A seção de notícias é inútil.
  • www.billie-holiday.net – o site da gravadora Legacy tem dezenas de samples para ouvir.
  • www.ladyday.net – o site tem discografia completa, artigos de revistas e curiosidades como investigações do FBI sobre seu consumo de drogas. A seção de áudio está fora do ar.

A matéria acima foi publicada na Folha. Acesse aqui, leia o original e compre a coleção, é imperdível.

ONE FOR MY BABY com Billie Holyday

Walter Rodrigues Vendas FilhoCriar e manter um blog é mais do que expor-se ao mundo ou qualquer outra manifestação que traga notoriedade ou mesmo exponha ao ridículo :-). Por sua vez, uma forma de compartilhar conhecimento.

Aprender com os ilustres visitantes, sentir o que estão querendo ver publicado, vê-los tornarem-se fãs do blog, vê-los ajudando o blog crescer, enfim é um sacerdócio.

Em pouco mais de um mês de vida, este blog alcançou mais de 150 posts e 300 vídeos com inúmeras informações sobre estilos, músicos maravilhos e canções idem. A paixão por música me faz continuar nesta empreitada fantástica de levar conhecimento, música e informação.

A maioria das informações aqui complidadas estão espalhadas na Net. Sempre coloco a origem do texto para que os visitantes do blog possam buscar mais informações sobre o músico e a obra apresentada.

Um grande abraço à todos e o meu agradecimento pela visita. E como este blog é de música e pouco papo, ai vai uma especial.

ww11.jpgDesculpe o post tão emocional, mas graças a Deus eu tenho todos os sentidos impecáveis e não sei o quanto seria terrível não os tê-los perfeitos. Mas o sentido mais primordial pra mim é a audição. Imagine passar pelo mundo sem poder ouvir esta interpretação da minha deusa Billie Holiday.

“One for my Baby (and one more for the road)”

Billie Holiday

Minha musa, minha deusa, minha sei lá o que. Billie Holiday interpretando Autumn in New York é de deixar qualquer um que entende de música de cabelos arrepiados. Escutem os solfejos, arpejos, e todos os “ejos” que esta deusa conseguia com a voz inconfundível.

E de quebra, veja o maravilhoso vídeo abaixo com a música AINT NOBODYS BUSINESS

GLOOMY SUNDAY

Publicado: 02/05/2007 em Billie Holiday, Sarah McLachlan

Várias versões de GLOOMY SUNDAY.

Nem precisa perguntar qual é a preferida deste blogger? Billie Holiday é claro.

GLOOMY SUNDAY com Billie Holiday

GLOOMY SUNDAY com Sarah McLachlan

GLOOMY SUNDAY com Diamanda Galas