Arquivo da categoria ‘Duke Ellington’

HELTON RIBEIRO
Colaboração para Folha Online
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Ellington é um dos maiores compositores do século 20. Também arranjador, bandleader e pianista, ele dizia que seu real instrumento era a orquestra. Que, por sinal, “tocava” como ninguém. Aliando sofisticação e simplicidade, conquistou desde o público mais culto até o americano médio que só queria dançar e se divertir. E foi um dos pioneiros do swing, o estilo mais popular da história do jazz.

Edward Kennedy Ellington nasceu em Washington, em 29 de abril de 1899. Com 17 anos já se apresentava tocando ragtime. Em 1923, foi com o grupo The Washingtonians para Nova York, onde começou a gravar no ano seguinte. O grupo se tornaria a Duke Ellington Band, recrutado músicos como o saxofonista Johnny Hodges e o trompetista Cootie Williams.

A partir de 28, a orquestra lançou clássicos como “The Mooche”, “Mood Indigo” e “Black and Tan Fantasy”. Nos anos 40, tendo Billy Strayhorn como arranjador, atingiu o ápice, com “Take the A Train”, “Ko-ko”, “Concerto for Cootie”, “Cotton Tail” e outros standards.

Ambiciosas suítes de inspiração clássica foram afastando Ellington do público até que, em 56, ele fez uma triunfal apresentação no Festival de Newport. Revigorado, passou a excursionar pelo mundo até sua morte, em 24 de maio de 74, em Nova York, de câncer do pulmão. Mas a orquestra sobreviveu, passando a ser dirigida pelo filho Mercer Ellington e, após a morte deste, pelo neto, Paul Mercer.

Contexto histórico

Nos anos 20, os Estados Unidos viviam o apogeu. Finda a Primeira Guerra Mundial, o país entrou em um período de prosperidade sem precedentes. A renda subia, o consumo estava em alta, e uma onda de otimismo incentivou a procura por diversão.

De repente a América descobriu uma música alegre, dançante e calorosa. Nos grandes salões de Nova York, grupos de swing jazz eram solicitados para animar e fazer dançar centenas e até milhares de pessoas. Um dos primeiros foi The Washingtonians, que tinha Duke Ellington no piano.

A quebra da bolsa em 29 jogou por terra o “American dream” daquele período. Da noite para o dia, um quarto do país ficou na miséria. A década de 30 foi de sofrimento e lenta recuperação. Só a alegria do swing jazz servia como alento ao pesadelo. Nos salões de dança, o mundo ainda parecia radiante ao som das big bands de Duke Ellington e outras que se multiplicavam. E foi assim que, enquanto o país vivia seus piores dias, o jazz chegava ao auge.

Curiosidades

 

  • Quatro dígitosEllington gravou mais de 2.000 músicas. Dessas, aproximadamente 450 eram composições suas, nas quais ele explorou todos os principais ritmos americanos, além de música clássica e religiosa.
  • Triplo GrammyEle ganhou três Grammys pela trilha sonora do filme “Anatomia de um Crime (Anatomy of a Murder)”, de 59, no qual também fez uma ponta.
  • PapelãoEm 65, o júri de música do prêmio Pulitzer, um dos mais importantes da área cultural nos Estados Unidos, recomendou por unanimidade a premiação de Ellington, mas a instituição negou a homenagem. Parte dos jurados renunciou em protesto, denunciando preconceito racial.
  • FrasistaAlém das composições, ele foi autor de muitas frases famosas. Algumas delas: “Só existem dois tipos de música: a boa e a ruim”; “a coisa mais importante que procuro num músico é se ele sabe ouvir”; “um problema é uma boa chance para você dar o melhor de si”, e “nunca me interessei muito pelo piano até perceber que, toda vez que eu tocava, uma garota aparecia e se sentava à minha esquerda no banco do piano, e outra à minha direita”.

Sites relacionados

 

  • www.dukeellington.com – o site oficial garante ter tudo que se quiser saber sobre ele, e não está longe da verdade. Biografia, discografia, lista de composições, prêmios, notícias, músicas para ouvir em real player, galeria de fotos, wallpapers, posters, citações, links para outros sites e até “cultura inútil”, como seu peso. Dá para passar horas navegando.
  • www.redhotjazz.com – tem uma minuciosa discografia, com mais de duas centenas de títulos, além de filmografia e a bibliografia. Há históricos de cada um dos mais de dez grupos dos quais participou, e ainda biografias de seus sidemen. Um volume de informação impressionante.
  • www.dellington.org – o site feito foi para comemorar o centenário de Ellington, numa parceria entre três renomadas instituições: o Museu Nacional de História da América, a Conferência Nacional de Músicos Educadores e o Kennedy Center. Há vídeos dos concertos realizados no centenário, um artigo do New York Times e uma cronologia com os fatos mais importantes de cada ano de sua vida.

A matéria acima foi publicada na Folha. Acesse aqui, leia o original e compre a coleção, é imperdível.

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“Duke” Ellington

Publicado: 01/05/2007 em Duke Ellington, Swing

“Duke” Ellington

DukeDiferente de Billie Holiday, quase não se ouve falar da vida particular de Edward Kennedy “Duke” Ellington. Os comentários mais comuns, afora sua extensa obra, são relacionados ao apelido de “Duke” ganho pelo seu ar de nobreza e às flechas que disparava em direção aos espécimes do sexo oposto. Tinha uma coleção de frases que quase sempre garantiam bons resultados; “Agora sei porque tive que nascer… simplesmente para conhecê-la, querida”; “É um anjo, sem dúvida. Estou vendo suas asinhas refletindo no teto” ou, quando encontrava uma mulher a qual não havia sido apresentado, disparava a pergunta “e de quem é esta menina?”.

Duke nasceu em 1899 em Washington. Nos anos 20 mudou-se para New York, onde começaram a surgir suas primeiras composições importantes. Na década seguinte sua produção tornou-se mais sofisticada. Meusmo com o desaparecimento das big bands, seu trabalho continuou se mostrando maravilhoso. Isto faz com que seu nome seja sempre lembrado quando se fala em sucesso de um único nome, seja com o jazz tradicional ou com o jazz moderno.

“A orquestra é meu instrumento”, costumava dizer. Duke destacou-se dos demais líderes de bandas da época principalmente pelo seu uso sutil do acompanhamento vocal e pelo seu senso inato para orquestração. Boa parte de suas mais famosas composições foram construídas a partir de melodias improvisadas pelos seus músicos.

Os concertos no Carnegie Hall não podem deixar de ser citados, principalmente uma de suas obras maiores, a famosa suíte Black, Brown and Beige, em 1943, inspirada na história da América negra.

Duke Ellington morreu em 1974. No título de sua autobiografia, ele resume sua vida: Music is my mistress (A Música é minha amante).

Duke Ellington and his orchestra

Duke Ellington – Satin Doll

Excelente vídeo em ótimo estado de conservação. Um Duke com Ray no trumpet fantástico.

Take the A-train

Ray Nance, além de excelente vocalista, era trompetista, volinista e um exímio dançarino. Se notarmos bem, veremos fortes semelhanças com as danças mais atuais.

Raro e fantástico vídeo de Duke Ellington

Epa!
1959 o Jazz estava bombando e eu estava nascendo. Será que é por isso que eu amo Jazz?

Zurich 1959

Timex Jazz Show 1959