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Cantelope Island

Publicado: 25/01/2009 em Herbie Hancock, Jazz
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O pianista Herbie Hancock e a cantora Macy Gray promovem seus mais recentes lançamentos –“River: The Joni Letters” e “Big” (ambos de 2007), respectivamente– em turnê brasileira, que será finalizada com apresentações individuais em evento gratuito neste domingo, 1º de junho, no Espaço Villa-Lobos, em São Paulo.

Macy Gray – I Try

Vídeo clássico imperdível.

Diferentes interpretações do Clássico do Jazz So What

Herbie Hancock Quintet

Miles Davis & John Coltrane

Miles Davis – 1964

Ronny Jordan Quartet

Sem palavras… apenas ouçam e vejam.

HELTON RIBEIRO
Colaboração para Folha Online

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Ele já tocou música clássica e africana, funk, rock, hip hop, techno e até disco music. A cada aventura, ganha novos admiradores, enquanto fãs antigos torcem o nariz. Herbie Hancock foi um dos que mais contribuíram para alargar as fronteiras do jazz e confundir os críticos, às voltas com a velha questão: afinal, o que é e o que não é jazz?

Herbert Jeffrey Hancock nasceu em 12 de abril de 1940 em Chicago. Ele foi um menino-prodígio do piano clássico, tocando Mozart em um concerto com a Sinfônica de Chicago, com apenas 11 anos. Pouco depois se iniciou no jazz. Aos 20, morando em Nova York, ingressou na banda do trompetista Donald Byrd.

Seu primeiro LP, “Takin’ Off”, lançado em 63 pela conceituada Blue Note, já trazia um de seus maiores clássicos, ‘Watermelon Man’, que estourou tanto nas rádios de jazz como nas de rhythm & blues. O atento Miles Davis logo o chamou para integrar seu mitológico quinteto com Wayne Shorter, Ron Carter e Tony Williams, um dos mais famosos nos anos 60.

Depois de cinco anos com Miles, ao lado de quem lançou as sementes do jazz-rock fusion, mergulhou no funk-jazz eletrônico com sua nova banda, The Headhunters. O LP “Head Hunters”, de 73, foi um dos mais vendidos na história do jazz. Ele continha outro de seus maiores sucessos, “Chameleon”. A partir daí, Hancock tornou-se um popstar, tocando para multidões e chegando a emplacar quatro discos na parada pop ao mesmo tempo.

Inquieto, voltou ao jazz acústico com o V.S.O.P., reencontro do quinteto de Miles, tendo Freddie Hubbard no trompete. Essa alternância entre o jazz mais tradicional e a experimentação prossegue até hoje. Ele grava com astros pop como Sting, Santana e Christina Aguilera, e em seguida com jazzistas como Wynton Marsalis e Wayne Shorter.

  • CD com Tina Turner e Luciana SouzaO novo CD de Hancock tem participações especiais de Norah Jones, Tina Turner, Leonard Cohen e a cantora brasileira Luciana Souza, entre outros. Com o título “River: The Joni Letters”, é dedicado ao songbook da cantora Joni Mitchell, que também canta em uma faixa. Detalhe: quatro músicas têm versões apenas instrumentais.
  • E o Oscar vai para…Hancock ganhou o Oscar em 86, pela trilha sonora de “Por Volta da Meia-Noite (‘Round Midnight)”, inspirado nas vidas do pianista Bud Powell e do saxofonista Lester Young (por isso a escolha de Dexter Gordon, seu discípulo, para o papel), que viveram na Europa, nos anos 50. Ele compôs trilhas para muitos outros filmes, entre os quais “Depois Daquele Beijo (Blow Up)”, de Antonioni, “As Cores da Violência (Colors)”, de Dennis Hopper, e “Os donos da noite (Harlem Nights)”, estrelado por Eddie Murphy.
  • E o MTV Awards…O videoclipe de “Rockit”, lançada em 83 em parceria com o baixista e produtor Bill Laswell, ganhou cinco prêmios da MTV.
  • De quem é mesmo?O jazz eletrônico de Hancock nos anos 70 é um prato cheio para os artistas de acid jazz, hip hop e dance music. US3 (com “Cantaloop”) e Dee Lite (“Groove is in the Heart”) foram alguns que fizeram sucesso com samplers de suas gravações (no caso, respectivamente “Cantaloup Island” e “Bring out the birds”).
  • Padrinho de WyntonO pianista apadrinhou Wynton Marsalis no início de carreira, produzindo seu primeiro disco solo e em seguida fazendo turnê com ele.

Guerra do Vietnã. Flower power. Black power. Eram os anos 70. Nos Estados Unidos, o funk fazia trilha sonora para a rebeldia negra. “Diga isso alto: sou negro e me orgulho”, incitava James Brown. “Não me chame de crioulo, branquela”, provocava Sly Stone. Hancock não aderiu à contestação, mas aprendeu com eles e com Miles Davis que negros (e jazzistas) também podiam ser ricos e famosos como os popstars brancos.

Ao deixar o quinteto de Miles, ele ficou rico e famoso unindo os improvisos jazzísticos ao ritmo dançante do funk. De forma sutil, valorizou a negritude fazendo referências à África: adotou o nome Swahili Mwandishi; inspirou-se no continente para compor músicas como “You’ll Know When You Get There”, e gravou um disco com o tocador de kora Foday Musa Suso, de Gâmbia.

Mais tarde, pareceu interessar-se pela política internacional. Em 97, gravou com Wayner Shorter, no CD “1+1”, a emblemática “Aung San Suu Kyi”. A música não tem letra, mas o título fala por si só: é o nome da maior opositora à ditadura de Myanmar (antiga Birmânia), condenada pelo governo à prisão domiciliar.

Sites Relacionados

  • www.herbiehancock.com – o site oficial é completíssimo. A biografia é tão extensa que foi dividida em seções, por décadas. A atualização é pelo menos mensal, com as últimas notícias e próximos shows. E tem também um chat.
  • www.downbeat.com – o site da revista “Down Beat”, a mais conceituada do jazz, traz alguns dos extensos artigos publicados sobre ele, além de biografia e discografia.
  • www.jazar-music.com – o site traz links para artigos de revistas e notícias bastante atualizadas.

A matéria acima foi publicada na Folha. Acesse aqui, leia o original e compre a coleção, é imperdível.

Walter

Uma justa homenagem à nossa eterna Ella Fitzgerald. Neste vídeo, Natalie Cole interpreta Ella com uma performance maravilhosa. E se não bastasse, é acompanhada por Waine Shorter, Herbie Hancock e Bunny Brunel.

Este e outros vídeos com Natalie Cole podem ser encontrados aqui no My Bands. Boa diversão.